• Domingo, 30 de Agosto de 2026

Após homicídio, moradores relatam medo e abandono em antigo posto da Moreninha

Parte desativada do imóvel é usada durante a noite e acumula relatos de furtos, consumo de drogas e invasões

BRUNA MARQUES E DUDA SCHINDLER / CAMPO GRANDE NEWS


Estrutura do antigo centro de saúde permanece sem utilização enquanto moradores cobram providências para o local (Foto: Paulo Francis)

O assassinato de um homem de aproximadamente 45 anos, encontrado morto na madrugada deste domingo (30), voltou a chamar a atenção para o abandono de parte do antigo prédio do CRS (Centro Regional de Saúde) da Moreninha III, em Campo Grande. Moradores e comerciantes da região afirmam que o espaço desativado passou a ser frequentado durante a noite por pessoas que dormem no imóvel, consomem bebidas alcoólicas e usam drogas.

A vítima foi encontrada com ferimentos no peito dentro do imóvel na Rua Guarabu da Serra. Segundo o boletim de ocorrência, o homem apresentava duas lesões na região torácica, aparentemente provocadas por faca. Ele não portava documentos e, até o registro da ocorrência, não havia sido identificado.

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Morador da região, Getulio Correia, de 66 anos, afirma que o problema começou depois que os atendimentos de saúde deixaram aquela parte do imóvel. Segundo ele, o prédio abandonado passou a servir de abrigo durante a noite.

“Essa parte aqui está abandonada. Aqui era o posto, mas depois passou para lá. Aí os moradores de rua vieram morar por aqui. Eles têm acesso para entrar. À noite, eles vêm para cá. Aqui é tipo um fumódromo agora. O pessoal vem para usar mesmo', relata.

Conhecido como Palhaço Peninha, Getulio conta que já viveu em situação de rua e chegou a dormir no próprio imóvel. Ele afirma ainda que uma mulher estaria no local no momento do homicídio e poderia ter informações sobre o crime.

“Tinha uma mulher aqui quando aconteceu. Ela estava dormindo aqui. Ela estava aqui na hora. Ela sabe como foi, sabe quem foi que matou e sabe quem morreu', afirma.

A sensação de insegurança também é relatada por Isabel Ferreira Carvalho, de 30 anos. Segundo ela, furtos se tornaram frequentes nas proximidades, envolvendo principalmente a fiação elétrica.

“Ficou bem mais perigoso desde que desativaram. Faz muitos anos. Desde que vim para cá, não para de ter furto. Não para fio aqui. Eles ficam por aqui, principalmente à noite. Dormem, bebem e usam drogas', conta.

João do Nascimento, de 72 anos, também associa a situação de abandono ao aumento da criminalidade na região. Ele soube do homicídio pela manhã e diz temer que novos episódios violentos ocorram.

“A gente tem que ser verdadeiro. Aumentou a criminalidade, ficou bem pior. Teve um homicídio ali essa madrugada. Eu fiquei sabendo hoje de manhã. A gente fica preocupado porque pode acontecer mais coisas assim. Cada vez fica pior', afirma.

Segundo João, embora a parte da frente da unidade de saúde continue em funcionamento, os fundos do imóvel permanecem abandonados. “Ali atrás era a maternidade. Hoje está tudo abandonado. Não tem mais nada e acabam roubando tudo que conseguem', diz.

A comerciante Zenilda de Barros, de 40 anos, abriu uma padaria recentemente nas proximidades e conta que já enfrenta prejuízos provocados por furtos. “Sempre estão roubando fio aqui. A gente tinha lâmpadas aqui na frente e eles roubam tudo', relata.

Moradores afirmam que, durante o dia, o movimento na área abandonada diminui, mas as pessoas retornam à noite. Eles cobram uma solução para impedir o acesso ao imóvel e evitar que a estrutura continue sendo utilizada como ponto de permanência e consumo de drogas.

O homicídio ocorrido neste domingo foi registrado como homicídio simples na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol. A Polícia Civil investiga o crime.

O Campo Grande News solicitou posicionamento da Prefeitura de Campo Grande sobre as condições do imóvel, as medidas previstas para impedir o acesso à área desativada e se há projeto para reforma ou nova destinação do espaço. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

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