Coronel Sapucaia
Funcionários descobriram demissão durante atendimento a clientes: "desumano"
Eles também voltaram a falar da falta de pagamento de verbas rescisórias durante reunião em sindicato
CASSIA MODENA E IZABELA CAVALCANTI / CAMPO GRANDE NEWS
Ex-funcionários de lojas da Casas Bahia, em Campo Grande, alegam que souberam da própria demissão em meio a vendas e que ainda não receberam verbas rescisórias, durante uma reunião realizada no Sindicato dos Empregados no Comércio nesta manhã (3). A rede passa por crise e fez pedido de recuperação judicial no mês passado.
'Eu estava fechando uma venda quando vi que minha matrícula estava trancada. Tive que chamar o rapaz do RH (Recursos Humanos) porque eu não estava sabendo o que estava acontecendo. Mas ele também não sabia', contou Antônio Carlos Hurtado, 63 anos.
- Leia Também
- Demitidos da Casas Bahia ainda aguardam pagamento e sindicato convoca reunião
- Justiça suspende demissões da Casas Bahia e beneficia trabalhadores de MS
O homem trabalhou por 11 anos na loja do Shopping Campo Grande. Ele tomou uma decisão rápida diante daquilo. 'Como o cliente não podia esperar, passei a venda para o rapaz do RH e depois ele ia aplicar para mim. Nem passava pela minha cabeça a demissão, até pelo meu tempo de serviço. Depois, meu gerente chamou e só explicou que estavam fazendo alguns cortes. Fiquei sabendo era quase meio-dia. Peguei minhas coisas e fui embora', finalizou.
A loja onde Antônio trabalhava não foi fechada, mas houve demissões mesmo assim. É o mesmo caso de Devair Brito Porto, 52. Ele trabalhava há 11 anos na maior unidade da rede, localizada na Avenida Afonso Pena, entre a Rua 14 de Julho e a Rua Barão do Rio Branco.
Devair também teve que lidar com a demissão no meio do expediente. 'Eu estava trabalhando por volta das 11h30, mais ou menos, atendendo um cliente via WhatsApp e um presencial. Então me chamaram e falaram que eu estava sendo desligado. Em seguida já veio outro colaborador junto, que já sabia mais ou menos', disse.
O ex-funcionário precisou repassar o cliente para uma colega. 'Eu peguei minhas coisas e fui para casa descansar, não perguntei o que havia acontecido porque eu já queria ser desligado, na verdade, só nunca pedi. Então não foi muita surpresa, o que surpreendeu foi ser no meio do expediente', relata. Devair pretende cuidar da mãe acamada agora que está desempregado.
Ele fala que também não recebeu 'o acerto'. 'Eu assinei o papel numa sexta, fiz o exame demissional no sábado e só consegui dar entrada no seguro-desemprego anteontem', finaliza.
A ex-vendedora da loja do Shopping Norte Sul Plaza, Catislaine Rocha Antunes, 42, já percebia que havia crise no ano passado. Ela afirma que na última Black Friday a loja estava devendo a fornecedores e chegaram a faltar produtos já pagos. 'Aí a pessoa cancelava a compra, o vendedor não recebia pela venda e a gente ficava chateado', diz. Até fitas, cartazes e produtos de limpeza estavam em falta, acrescenta.
Ela foi desligada em 15 de agosto. 'Quando eu comecei a trabalhar, meu ponto não entrava, passaram 10 minutinhos e o gerente me chamou para falar que fui desligada. Falou também que iam pagar tudo certinho', afirma.
Oito dias depois ela mandou mensagem para o responsável pela loja. 'Disse que até agora não tinha chegado nada sobre o exame. Quando eu fiz, falaram que com mais 10 dias iam pagar. Mas o meu nome está no meio dos credores da Casas Bahia', diz. Catislaine relata que precisou vender uma motocicleta para saldar as dívidas e que ainda não começou a procurar outro emprego.
Lucas Godoi, 28 anos, foi demitido em 14 de agosto da loja do Shopping Bosque dos Ipês, a única na Capital que fechou até o momento, após o anúncio da crise na rede. Ele ficou surpreso.
'Um dia antes, eles quinta, eles marcaram uma reunião com todos os funcionários e foram falando quais pessoas seriam desligadas. Um só ficou e foi transferido, o restante, oito, foram demitidos. O gerente não sabia o motivo, não tinha informações, e nem o próprio shopping estava sabendo, tanto é que as mercadorias ficaram travadas', conta.
O ex-funcionário recebeu o convite para ser transferido, mas recusou. Ele também não recebeu as verbas rescisórias até então. 'Agora que eu fiquei instruído que vai demorar o processo judicial, eu vou procurar outro emprego. A primeira parcela do seguro-desemprego ficou para dia 26. Ficou por dia 26', pontua.
'Desumano' - O presidente do sindicato, Carlos Santos, classifica como desumanos os casos em que os trabalhadores foram demitidos durante os expedientes. 'Isso foi uma coisa muito triste. No meio das vendas! Foi desumano', frisa.
Carlos explica que a reunião de hoje serviu para dar orientações aos trabalhadores. Eles poderão ajuizar ações contra a rede com o apoio do sindicato.
O Campo Grande News procurou a assessoria de imprensa da Casas Bahia para falar sobre a falta de pagamento das verbas rescisórias, já noticiada ontem (2), e as demissões durante o expediente, e aguarda resposta.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.
Leia mais


Primeira página

