Esportes
Gabi defende presença de Tifanny na Superliga e critica postura da CBV: “Falta de humanidade'
Antes do Pré-Olímpico, capitã da seleção brasileira presta apoio à oposta do Osasco, banida de competições nacionais por nova regra de elegibilidade de atletas na categoria feminina
GLOBOESPORTE.COM / BRUNO HALPERN, JúLIO BARRETO E LUCAS ESPOGEIRO
Na reta final da recuperação de um problema na região lombar, que a deixou fora da Liga das Nações (VNL) de 2026, Gabi Guimarães está focada nos treinos para o Pré-Olímpico Feminino, torneio com início marcado para esta terça-feira (8), no Maracanãzinho. Mas a capitã da seleção também se mostra atenta a assuntos que extrapolam os limites das quadras. Em entrevista ao ge, depois de treino aberto do Brasil na segunda (7), a ponteira de 32 anos prestou apoio a Tifanny, oposta do Osasco, e criticou a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) pela decisão de banir atletas trans de competições nacionais.
– Fiquei muito triste por ver a falta de humanidade em como a Tifanny foi tratada. Ela era uma atleta elegível pela própria Confederação Brasileira, podia jogar, participar da Superliga já há oito, nove anos. Construiu uma carreira, uma história, e eu acho que pouco pensaram nela como ser humano. O comunicado (do banimento) veio numa sexta-feira. Na quinta, ela estava treinando com o Osasco e aí de repente não pode mais atuar na Superliga. A CBV disse que seguia critérios do COI, mas não era obrigada a fazer nesse momento. Poderia ser num “timing' diferente, pensando principalmente em como impactaria a carreira e a vida da Tifanny – disse Gabi.
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A decisão da CBV de proibir a participação de atletas trans foi oficializada no dia 14 de agosto, cerca de dois meses antes do início da Superliga Feminina, em um momento no qual a maioria dos elencos dos clubes já estavam montados. Desde o anúncio, Tifanny tem recebido o apoio de jogadoras e outras pessoas envolvidas com o vôlei. O Osasco, clube da oposta de 41 anos, consulta órgãos nacionais e internacionais sobre a possibilidade de reverter o banimento.
Gabi espera que Tifanny seja liberada para disputar a Superliga de 2026/2027:
– Tive a oportunidade de conversar com ela, e uma das coisas que a Tifanny passou foi que só queria ter a oportunidade de terminar a temporada com dignidade, porque já estava pensando na aposentadoria. Acho que ela merece jogar esta Superliga e depois ter a oportunidade de se aposentar dignamente. Fico muito triste por não a terem tratado de forma mais humana, porque é uma jogadora que contribuiu para o vôlei brasileiro.
A reportagem do ge.globo procurou a CBV, mas a entidade optou por não se pronunciar depois dos comentários de Gabi.
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Entenda o caso envolvendo Tifanny
Em agosto, a Confederação Brasileira de Voleibol anunciou que adotaria, em suas competições nacionais de quadra e praia, a política do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a elegibilidade de atletas na categoria feminina. Pela nova regra, as jogadoras devem apresentar teste genético com resultado negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento masculino.
Uma das exceções previstas no documento divulgado pela CBV é se a atleta demostrar, por avaliação especializada, ter alguma condição rara que provoque efeitos anabólicos e alterações no desempenho decorrentes da testosterona.
Segundo a CBV, os novos critérios passam a valer para todas as atletas a partir das Superligas A e B da temporada 2026/27, além da Supercopa 2026, da Copa Brasil 2027, do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto) e do CBVP Challenger 2027. A recusa em realizar a triagem não será considerada uma infração disciplinar, mas a atleta que não comprovar a elegibilidade ficará impedida de disputar as competições.
Na prática, a mudança de postura da CBV impacta mulheres trans, especialmente Tifanny, primeira atleta transgênero na elite do vôlei no Brasil. A oposta de Osasco está liberada para jogar o Campeonato Paulista – um torneio regional –, mas não poderá disputar, por exemplo, a Superliga, que tem caráter nacional.
Calendário do Brasil no Pré-Olímpico Feminino
Enquanto as novas regras de elegibilidade são discutidas nos bastidores, a seleção feminina tenta carimbar vaga para os Jogos de Los Angeles. Nesta semana, a equipe disputará o Sul-Americano, no Rio de Janeiro, e o torneio valerá como Pré-Olímpico, premiando as campeãs com a classificação para LA 2028. A estreia na competição continental será nesta terça-feira, diante da Venezuela, às 20h (de Brasília). O sportv2 transmitirá ao vivo, e o ge.globo acompanhará em tempo real.
Depois, o Brasil, enfrentará Peru, Colômbia, Chile e Argentina, nessa ordem. O Sul-Americano é disputado em fase única, sem mata-mata, e o título ficará com a seleção de melhor campanha. A equipe brasileira se sagrou campeã das últimas 15 edições do torneio.
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Veja todas as jogadoras convocadas para o Pré-Olímpico
Levantadoras: Roberta e VivianOpostas: Sabrina e TainaraPonteiras/Opostas: Ana Cristina, Helena e RosamariaPonteiras: Gabi e Julia BergmannCentrais: Diana, Lorena e LuziaLíberos: Marcelle e Nyeme
Confira os jogos do Brasil no Pré-Olímpico
Terça-feira, 8 de setembro:
20h – Brasil x Venezuela – sportv2
Quarta-feira, 9 de setembro:
20h – Brasil x Peru – sportv2
Quinta-feira, 10 de setembro:
20h – Brasil x Colômbia – sportv2
Sábado, 12 de setembro:
13h30 – Brasil x Chile – sportv2
Domingo, 13 de setembro:
12h – Brasil x Argentina – TV Globo, ge tv e sportv2
*O ge.globo acompanhará todas as partidas em tempo real.
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