• Terça, 08 de Setembro de 2026

Do Word à inteligência artificial, cursos de informática resistem na Capital

Com alunos de 8 a 80 anos, aulas vão de digitação e uso do celular a Python e Power BI

CASSIA MODENA / CAMPO GRANDE NEWS


Aula em curso de informática gratuito oferecido pela prefeitura (Foto: Divulgação)

Em frente ao computador ou com o celular na mão para ler notícias, responder mensagens no WhatsApp e checar o extrato bancário, muita gente nem lembra que a inclusão digital é uma promessa que ainda não se concretizou totalmente.

Quase obrigatórios no passado, os cursos de informática ainda existem em Campo Grande e assumiram a missão de resgatar quem ficou para trás ou atualizar conhecimentos para o mercado de trabalho. Há opções gratuitas e pagas, desde o Centro até as periferias.

Os cursos grátis geralmente são rápidos. O da Escola da Funsat (Fundação Social do Trabalho em Campo Grande) dura aproximadamente um mês. Cerca de 40% das vagas são preenchidas por quem nunca mexeu num computador, segundo o presidente da entidade, João Henrique Bezerra.

A maior procura vem de pessoas com mais de 50 anos e trabalhadores do PRIMT (Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho) da prefeitura, que precisam comprovar qualificações para manter o vínculo.

“O público jovem ocupa cerca de 20% das vagas. Ainda é uma procura baixa, mas acreditamos que vem se intensificando', complementa João.

Eles também estão dentro de diversos projetos sociais. O Asas do Futuro, no Bairro Dom Antônio Barbosa, por exemplo, oferece o curso por um período de 10 meses para quem tem de 8 a 15 anos.

A instituição tem curso de informática há cinco anos e atende, ao todo, 235 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A assistente social Jaqueline Teixeira da Silva conta o que se aprende.

“Eles aprendem o básico: Word, Excel, digitação. Os mais velhos fazem currículos e assim se preparam para entrar no mercado de trabalho, depois nós vamos abrindo outros cursos com conteúdo mais avançado para atender os que vão terminando', descreve.

O Asas do Futuro também começou a dar aulas para jovens, adultos e idosos sobre como mexer no celular. “Começamos a receber muita gente que quer evitar cair em golpe na internet e que não sabe fazer chamada de vídeo', relata a assistente social.

Pago - O ensino em escolas de cursos particulares também segue de pé. A Microlins é uma e mantém duas unidades, uma no Centro e outra no Bairro Aero Rancho.

A rede chegou a Campo Grande em 1991, segundo o atual responsável pela franquia, Denilson Queiroz. Em 35 anos, muita coisa mudou. “Antigamente a aula era em quadro branco, hoje é impossível. Houve muita renovação', começa.

Com a redução da demanda, a escola diversificou o catálogo e passou a oferecer outros cursos profissionalizantes além da informática. Cerca de mil alunos estão matriculados atualmente.

Um curso de informática básica atualmente custa de R$ 300 a R$ 350 mensais. Ele pode ter duração de seis meses ou ser estendido para dois anos, caso o aluno queira avançar para programas e ferramentas que não costumam fazer parte dos cursos básicos.

“É completo, ensina uso de inteligência artificial, Canva, Python, Excel com Power BI e até conhecimento da área da Administração, como gestão de projetos', cita Denilson. Os alunos que precisam ganham aulas grátis de digitação.

O gestor afirma que o perfil é bem variado. “Temos alunos de 8 a 80 anos. Tem quem não sabe nem ligar um computador e quem já sabe, mas quer se aprimorar para conseguir um emprego qualificado', finaliza.

Não fechou turma - O Instituto Luther King, localizado na área central de Campo Grande, já realizou cursos de informática básica para jovens e adultos, mas desta vez, não conseguiu fechar uma turma. As oportunidades são sempre gratuitas.

A assistente social Flávia Kelly tenta entender o que aconteceu. “Temos que verificar se podemos melhorar a divulgação, se é porque as aulas seriam durante a semana e de manhã. Outros cursos como inglês e reforço escolar também estão com baixa procura', afirma.

Para participar, é preciso comprovar renda per capita familiar de até dois salários mínimos. O instituto prioriza atender adolescentes que estudam em escolas públicas, não têm acesso a computador em casa e precisam aprender informática para se preparar para o vestibular, Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e para o primeiro emprego como jovem aprendiz.

'Esse público até tem uma noção de informática, mas pelo celular, que não tem todas as ferramentas que ele vai usar como trabalhador ou para futuramente fazer os trabalhos da faculdade. Estamos empenhados em oferecer essa possibilidade de entrar no mundo da informática da forma mais completa', destaca Flávia.

Nas escolas públicas, bairros - A reportagem questionou a Semed (Secretaria Municipal de Educação) quantas e quais escolas municipais ainda possuem aulas em salas de informática. Não houve resposta até a publicação da matéria.

Para atender moradores adultos dos bairros com CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), a prefeitura mantém contrato com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) para aulas de informática básica gratuitas, entre outras opções. É só procurar uma das unidades a seguir e pedir mais informações:

CRAS Jardim Moema

CRAS Estrela do Sul

CRAS Anhanduí

CRAS Jardim Noroeste

CRAS Zé Pereira

CRAS Popular

CRAS Vila Gaúcha

CRAS Indubrasil

CRAS Nossa Senhora Aparecida

CRAS Moreninhas II

CRAS Los Angeles

CRAS São Conrado

CRAS Vila Nasser

CRAS Vida Nova

CRAS Dom Antônio Barbosa

CRAS Aeroporto

CRAS Guanandy

CRAS Estrela Dalva

CRAS Tiradentes

CRAS Aero Rancho

CRAS Canguru

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