Coronel Sapucaia
Sob risco de retirada, barracas de Anhanduí viram patrimônio cultural
Sanção amplia proteção ao comércio tradicional, mas não impede uma futura remoção
KAMILA ALCâNTARA / CAMPO GRANDE NEWS
As barracas de doces, conservas e pimentas que há décadas recebem viajantes às margens da BR-163, em Anhanduí, agora são patrimônio cultural de Campo Grande. A prefeita Adriane Lopes (PP) sancionou a lei que tomba as estruturas e o conjunto cultural formado em torno delas.
A medida foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (10), em meio ao temor de que a duplicação da rodovia obrigue os comerciantes a deixar os pontos onde trabalham. O projeto havia sido aprovado pela Câmara Municipal de Campo Grande em 11 de agosto.
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O tombamento aumenta a proteção das barracas, mas não garante que elas permanecerão para sempre exatamente onde estão. Pela nova lei, reformas, ampliações, mudanças estruturais ou remoções dependerão de autorização prévia do órgão municipal responsável.
Isso significa que uma eventual retirada ainda poderá ocorrer, desde que seja analisada e autorizada pelo município. A proteção também não transfere a propriedade das estruturas, não representa desapropriação e não gera indenização automática.
As barracas deverão ser inscritas no Livro de Tombo Histórico, Etnográfico e Paisagístico de Campo Grande. O reconhecimento inclui não apenas as construções, mas também a paisagem e a atividade tradicional desenvolvida pelas famílias no local.
Prefeitura ainda terá de abrir o procedimento administrativo de tombamento. Comerciantes, proprietários e outros interessados poderão se manifestar durante essa etapa.
A lei também prevê ações de incentivo ao turismo e à atividade econômica, como capacitação e apoio aos trabalhadores. A promessa, porém, fica condicionada à existência de dinheiro no orçamento municipal.
Futuro incerto - A discussão ganhou força com a retomada da duplicação da BR-163 pela Motiva Pantanal. Os comerciantes temem ser transferidos para uma rua lateral ou para uma área distante da rodovia, o que poderia reduzir o movimento e comprometer a renda das famílias.
Grande parte dos clientes é formada por caminhoneiros e viajantes que param durante o trajeto. Algumas famílias trabalham nas barracas há décadas, enquanto produtores rurais da região fornecem os alimentos vendidos nos pontos.
Em fevereiro, cerca de 150 pessoas participaram de uma audiência pública no distrito para discutir o futuro da atividade. Na ocasião, os comerciantes defenderam a permanência às margens da rodovia e apontaram a falta de outras oportunidades de trabalho em Anhanduí.
Representantes de uma empresa contratada pela Motiva Pantanal já haviam procurado os trabalhadores, em dezembro de 2025, para levantar informações sobre o número de barracas, produtos vendidos, pessoas empregadas e possíveis adaptações em caso de mudança.
Na época da audiência, a concessionária informou que ainda não havia decisão sobre retirada ou realocação. Segundo a empresa, os levantamentos eram preliminares e qualquer definição seria discutida com o Governo de Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Campo Grande.
A Lei Municipal nº 7.679 foi proposta pelo vereador André Salineiro (PL) e entrou em vigor com a publicação desta quinta-feira.
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