Esportes
FIA abre portas para equipe da China na F1, mas cobra "oferta séria"
Mohammed ben Sulayem revelou conversas com BYD e Geely por possível entrada na categoria, mas disse que entidade não vai flexibilizar regulamento para acomodar 12ª escuderia
GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE
Mohammed ben Sulayem, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), revelou nesta sexta-feira (11) detalhes das conversas que tem tido com marcas chinesas para a introdução de uma 12ª equipe na Fórmula 1. O dirigente voltou a deixar claro que a próxima escuderia da categoria será da China, mas cobrou ofertas sérias das empresas interessadas para uma avaliação mais minuciosa.
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O gestor da FIA tem sido favorável à introdução de novas equipes na categoria. Apesar da resistência das escuderias já existentes, Sulayem abriu um processo em 2023 para que equipes candidatas a uma vaga pudessem manifestar interesse, e a candidatura da Cadillac prosperou – o time americano estreou na Fórmula 1 nesta temporada.
Desde então, Ben Sulayem se mostra publicamente favorável a ter mais uma equipe no grid, desta vez da China. A BYD surgiu como interessada, conforme informou a “Bloomberg' em março, mas não pretende comprar um time já existente; portanto, seria necessário abrir um novo processo de avaliação. O dirigente disse que FIA e FOM estão alinhadas neste sentido.
– Nós não precisamos de uma equipe, precisamos da equipe. Agora, nós temos três corridas nos Estados Unidos, temos uma construtora, temos a Haas, mas precisávamos de uma OEM (sigla para Original Equipment Manufacturer; Fabricante de Equipamento Original, em português) – disse, referindo-se à entrada da Cadillac neste ano.
– Então eu disse, e até o promotor (Formula One Management) concorda que precisamos da equipe, e que a equipe precisa vir da China – afirmou Mohammed ben Sulayem.
O presidente da FIA também revelou que a Geely é outra marca interessada em entrar no futuro próximo, mas deixou claro que a federação não pretende mudar o regulamento para acomodar novas equipes – o que aconteceu na última mudança, com a introdução de combustíveis sustentáveis e aumento da eletrificação. À época, as alterações ajudaram a convencer a Audi a entrar na F1.
– Tive reuniões com eles, eles vieram e disseram: precisamos estar presentes. E um deles era a BYD, e outro era a Geely. E dissemos: 'OK, vamos abrir a manifestação de interesse se você vier'. Mas as regulamentações não serão afetadas apenas pelos fabricantes chineses. Não podemos fazer isso. As regulamentações precisam permanecer permanentes, e devem manter a estabilidade nela.
– Eu sei que os chineses lideram em eletrificação, mas a única maneira de alcançar nosso alvo é eletrificação? O que estamos procurando? Estamos atrás de um ambiente limpo e ar limpo. Então há tantas formas de alcançá-la. Agora estamos abrindo para hidrogênio, (motor) híbrido, eletrificação para o WRC (Mundial de Rali) no futuro, combustíveis sustentáveis – afirmou.
Ben Sulayem disse ter sugerido à BYD que comprasse um dos times já presentes no grid; o que, segundo ele, não deve acontecer. O dirigente não se mostrou contrário à entrada da marca chinesa do zero, mas pediu ao time que faça uma oferta séria e reforçou que uma futura entrada vai ocorrer apenas “nos termos da FIA'.
– Então, quando eu tinha minhas reuniões, eu era muito, muito claro. Por que você não começa com uma equipe... que era com a BYD? Por que eu deveria ser secreto sobre isso?... E eles disseram: 'Não, queremos uma equipe para nós mesmos'. Tudo bem. Então voltem com uma oferta séria para que possamos ver que vai funcionar'. E esses são nossos regulamentos. Fui muito claro com eles sobre o regulamento.
– Temos uma corrida na China. É enorme. Os fabricantes, também tivemos um piloto chinês (Guanyu Zhou, ex-Sauber e atual reserva da Cadillac) e a tecnologia chinesa está lá. Mas tem que ser nos nossos termos e regulamentos, o que é justo para todos. Porque essa também é responsabilidade da FIA – concluiu.
A China nunca teve uma equipe na Fórmula 1. Se a 12ª escuderia for introduzida ao grid, a F1 voltará a ter 24 carros competindo, o que não acontece desde 2012.
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