• Segunda, 14 de Setembro de 2026

Servidores municipais aparecem em investigação por quase R$ 1 milhão em saques

Funcionários da Prefeitura não foram presos, mas são citados pelo Gecoc no caminho do dinheiro desviado

ÂNGELA KEMPFER / CAMPO GRANDE NEWS


Entrada do Pronto Socorro da Santa Casa de Campo Grande (Foto: Arquivo)

Dois servidores públicos municipais de Campo Grande aparecem na investigação da Operação Antidotum por movimentações financeiras que, somadas, chegam a R$ 973.988. Eles não estão entre os presos na ofensiva, mas foram citados pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) durante a análise do caminho percorrido pelo dinheiro de empresas ligadas ao empresário Maurício Aparecido Benites.

Maurício é apontado pelos investigadores como responsável pelo núcleo empresarial ligado à Redvalue, empresa contratada pela Santa Casa para digitalização de documentos. Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), Redvalue, EX BE e Infortech funcionavam de forma integrada, com circulação de recursos entre as empresas e posterior transferência ou retirada dos valores por pessoas físicas.

É nesse fluxo financeiro que aparecem os dois servidores municipais. Uma deles é lotada na agência municipal responsável pelo meio ambiente e planejamento urbano. Segundo o relatório, ela realizou dois saques e recebeu duas transferências via Pix nos meses de abril e maio de 2025, totalizando R$ 211.989. As operações foram de R$ 60 mil, R$ 52 mil, R$ 49.990 e R$ 49.999 e tiveram origem em contas ligadas à Redvalue.

O outro servidor é lotado na secretaria municipal responsável pela administração e inovação. De acordo com a investigação, ele realizou 17 saques em espécie entre outubro de 2024 e março de 2025, somando R$ 761.999. Os recursos saíram de contas da Redvalue, da EX BE e, em uma das operações, diretamente de Maurício Benites.

Para os investigadores, essas movimentações não tinham, até aquele momento, explicação comercial identificada. O relatório afirma que não foram encontrados contratos, notas fiscais, contraprestações ou outros vínculos econômicos que justificassem por que servidores públicos e outras pessoas físicas retiraram ou receberam valores tão elevados.

A tese do Gecoc é de que essas pessoas teriam sido usadas para retirar e pulverizar os recursos que passavam pelas empresas do núcleo investigado, afastando o dinheiro das contas diretamente relacionadas aos contratos e dificultando o rastreamento dos destinatários finais.

A Redvalue está no centro de uma das frentes da Operação Antidotum. A empresa foi contratada pela Santa Casa para digitalizar o acervo da instituição, mas o MPMS sustenta que houve pagamentos sem correspondência com o volume de serviço efetivamente executado. Maurício, preso preventivamente na operação, é apontado como o controlador material do núcleo empresarial relacionado à contratação e também como participante das tratativas sobre pagamentos.

O Campo Grande News solicitou resposta à Prefeitura sobre os servidores e aguarda retorno.



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