Esportes
Bastidores: como preparação de goleiros muda treinos no Palmeiras para transformar Carlos Miguel
Dados influenciam montagem de treinos, e camisa 1 trabalha posicionamento na bola parada e defesas no raio de ação: "Somos muito detalhistas"
GLOBOESPORTE.COM / CAMILA ALVES
Quando investiu mais de cinco milhões de euros (cerca de R$ 34 milhões na época) na contratação de Carlos Miguel, em agosto do ano passado, o Palmeiras tinha uma meta clara: reforçar-se com um goleiro para o futuro. Não imaginava que em apenas dois meses, por causa da lesão de Weverton, ele seria alçado ao time titular.
Desde então, são 64 partidas, quase metade delas sem sofrer gols (31 ao todo), apesar das oscilações e uma rotina exigente, de transformação técnica, com a preparação de goleiros no clube.
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– Ele é um atleta inteligente que gosta de aprender – conta o preparador de goleiros do Palmeiras, Rogério Godoy, ao ge.
– É muito focado no crescimento profissional, absorve bem as informações, e é corajoso para executar, tentar. Acho que esse entendimento entre comissão, preparação e atleta vem fazendo ele crescer cada vez mais.
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Mas o que mudou?
Carlos Miguel é, não à toa, descrito por membros da comissão técnica como um "bom diamante para ser lapidado". E parte desse processo ocorre justamente nos bastidores do clube, durante os treinos, que são hoje fechados para a imprensa.
Dois fundamentos têm sido os mais trabalhados desde sua chegada.
– A gente muda muita coisa, corrige, e somos muito detalhistas, então para falar uma coisa que mudou... Pode ser o posicionamento. O posicionamento das bolas paradas – conta Carlos Miguel, que passou a jogar mais adiantado, quase na linha da pequena área, por uma estratégia conversada entre ele, o técnico Abel Ferreira e os preparadores.
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O segundo fundamento é mais recente. São as bolas no raio de ação, ou seja, as defesas contra finalizações mais próximas, como chutes ou cabeceios à queima-roupa. Como fez no empate por 0 a 0 com o Grêmio, na última rodada do Brasileirão antes da Data Fifa. E há motivos para isso.
A preparação de goleiros, formada por Godoy e Thales Damasceno, recebe relatórios mensais do departamento de dados do clube com indicadores de desempenho, do time, de seus atletas e do futebol em geral.
Entre eles, a informação, por exemplo, de que nos últimos anos o maior número de gols marcados no futebol brasileiro tem saído de finalizações baixas. O que fez a preparação mudar treinos e adaptar características para impulsionar a evolução de Carlos Miguel.
Ele viveu a melhor sequência entre o fim do ano passado e o início desta temporada. Depois da Copa do Mundo, sofreu com oscilações e algumas falhas individuais, como contra o Atlético-MG e o Cerro Porteño, mas manteve a confiança de que iria se recuperar.
Pouco depois, emendou boas atuações, como contra o Grêmio, e segurando dois pênaltis contra a LDU para classificar o time à semifinal da Libertadores. Uma sequência para dar confiança em sua relação com as arquibancadas.
Carlos Miguel sustenta agora a melhor média de gols sofridos com a camisa do Palmeiras neste século, ao lado de Weverton, ambos com 0,73, seguidos de Jailson (0,87), Marcelo Lomba (0,93) e Fernando Prass (1,03), entre todos os 15 goleiros que disputaram partidas neste século. No caso de Carlos Miguel, foram 47 gols sofridos em 64 jogos.
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O segredo das conversas pré-jogo
Construiu-se assim uma relação de confiança, entre goleiro, preparadores e comissão técnica. Evidente, por exemplo, na postura do camisa 1 ao compartilhar com os profissionais os prêmios de melhor em campo.
– Lógico que estou jogando, mas esse troféu não serve só para mim. E é por isso que se vejo Rogério, Thales, eu prefiro que esteja alguém comigo, porque essa vitória não é só minha, é deles também – diz o goleiro.
E se mostra ainda no detalhe da conversa que acontece ao fim de todo aquecimento entre Rogério e Carlos Miguel. É quando se abraçam, e o preparador dedica minutos a partilhar conselhos no ouvido do goleiro.
– São para pontuar uma ou outra situação dentro do jogo, do tempo, do próprio gramado, alguns alertas… passar confiança nesses últimos momentos antes de ele entrar em campo – explica o preparador.
– Todo jogo é diferente, então ele tenta passar o que ele sente – completa o goleiro.
– Como treinador também, com tantos goleiros gigantes com quem trabalhou, ele passa para mim um pouco das experiências que tem nesses momentos.
Agora aos 27 anos, descrito por Abel Ferreira como um atleta "ainda jovem, com potencial tremendo", Carlos Miguel se mantém exigente sobre o próprio trabalho para seguir sendo o goleiro de presente e futuro que o Palmeiras buscou ter.
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