• Sábado, 17 de Outubro de 2026

Corinthians acerta com a Caixa suspensão de pagamento da dívida e da retenção de bilheteria

Diretoria prevê maior fôlego financeiro sem os bloqueios de dinheiro previstos no contrato de renegociação assinado com o banco

GLOBOESPORTE.COM / GABRIEL OLIVEIRA E YAGO RUDá


Neo Química Arena, casa do Corinthians — Foto: Emilio Botta

O Corinthians acordou com a Caixa Econômica Federal a suspensão por um ano dos pagamentos da dívida pela Neo Química Arena. Nesse período, o banco público também deixará de reter dinheiro da bilheteria dos jogos e parcela das premiações de campeonatos.

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Durante a negociação para quitação da dívida de R$ 630 milhões em troca dos naming rights do estádio e de outros produtos comerciais, o presidente Osmar Stabile acordou com a Caixa a suspensão do pagamento da dívida, o que dará liberdade ao fluxo financeiro do clube.

Isso inclui diferentes fontes de receitas parcialmente retidas pela Caixa. O contrato de renegociação da dívida, assinado em 2022 pelo ex-presidente Duílio Monteiro Alves, prevê a retenção de 55% da bilheteria e 50% das premiações como garantias para o abatimento do débito.

Com a liberação, a diretoria corintiana considera que só a bilheteria, uma das principais fontes de receita em razão da constante lotação em jogos na Arena, já será capaz de dar fôlego financeiro em um momento de gravíssima crise.

A gestão atual tem atrasado salários e outros pagamentos desde maio. A diretoria deve premiações da Conmebol Libertadores e do Brasileirão e dois meses de direitos de imagem ao elenco masculino.

Corinthians e Caixa têm realizado uma série de reuniões - a última delas na sexta-feira, em Brasília, com a presença de líderes da torcida organizada Gaviões da Fiel - para debater a dívida do clube pela construção do estádio em Itaquera.

Depois do encontro, o clube e o banco divulgaram uma nota conjunta, na primeira vez que a Caixa admitiu publicamente a existência da negociação.

— A Caixa e o Sport Club Corinthians Paulista informam que avançaram nas conversas voltadas à avaliação de alternativas para o aprimoramento da relação entre as partes — diz a nota.

— Durante a reunião, o banco e clube formalizaram a assinatura de um termo de confidencialidade. As tratativas permanecem em curso e as conversas seguem em um ambiente de cooperação, responsabilidade legal e transparência.

O Corinthians já havia suspendido o pagamento das parcelas da dívida e recebido de volta do banco R$ 13,5 milhões dos R$ 27 milhões depositados em uma conta reserva. A diretoria utilizou o dinheiro para pagar salários atrasados do elenco masculino.

O andamento da negociação, agora admitida pela Caixa, ainda não significa a quitação da dívida pelo estádio, nem o acerto sobre naming rights e outros produtos comerciais.

Porém, a diretoria do Corinthians entende que os últimos acenos, como a suspensão do pagamento e a devolução de parte do dinheiro, demonstram a disposição do banco em caminhar para um desfecho positivo, ainda sem data para que isso ocorra.

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Entenda a negociação

O Corinthians propõe que a Caixa assuma o nome do estádio, hoje pertencente à Hypera Pharma. A diretoria considera que os naming rights atualmente valem cerca de R$ 70 milhões por temporada, bem acima dos R$ 15 milhões anuais, corrigidos pela inflação, que a Hypera paga desde a assinatura do contrato, em 2020.

O projeto ainda envolve outros ativos, como lançamento de títulos de capitalização, transferência de toda a operação financeira do clube (contas e pagamento de salários) para a Caixa e até cartões para o programa Fiel Torcedor.

Com o valor dos naming rights pactuado entre Corinthians e Caixa seria possível dar a dívida como quitada, já que o banco teria o direito de explorar comercialmente o nome do estádio por determinado período.

O assunto voltou à tona neste ano, em razão dessa grave crise, cuja principal motivadora, no entendimento da diretoria, é justamente a dívida da Arena. Stabile costuma repetir que o seu principal objetivo na presidência é quitar o estádio.

Dívida da Arena

Desde a inauguração do estádio, em 2014, o Corinthians desembolsou cerca de R$ 600 milhões ao longo dos anos para pagar o financiamento para construção.

O contrato que renegociou as pendências, acertado na gestão do ex-presidente Duilio Monteiro Alves, estipula dezembro de 2041 como prazo de pagamento da dívida, com amortizações crescentes a partir de 2025 e juros pagos desde 2023, à taxa de 2% ao ano acrescida da variação do CDI.

Na prática, o Corinthians só pagou juros em 2023 e 2024 e começou a diminuir o saldo da dívida a partir de 2025.

Nos bastidores, Stabile cita a dívida pela Arena como principal motivador da grave crise financeira do clube, que tem endividamento total na casa dos R$ 2,8 bilhões.

No ano passado, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, sugeriu publicamente que o Corinthians deixasse de pagar a dívida com a Caixa para privilegiar outras pendências. A declaração fez o banco estatal admitir uma renegociação.

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