Esportes
Renê vê guerra em Palmeiras x Fluminense e pontua lições na Liberta: "Fui campeão e perdi uma final em 5 minutos"
Em papo exclusivo, lateral fala de lesão e lembra aprendizados em título pelo Flamengo, em 2019, e eliminação no Internacional, em 2023, para o Flu
GLOBOESPORTE.COM / JéSSICA MALDONADO, MANU RIBEIRO E RICHARD SOUZA
Titular com Marcão, o lateral-esquerdo Renê revelou ter sentido tristeza no banco de reservas por não poder estar em campo para o jogo de ida entre Fluminense e Palmeiras, na semifinal da Libertadores.
Agora recuperado de uma torção no tornozelo esquerdo, ele deve voltar ao time no jogo decisivo por vaga na final da Libertadores e colocar sua experiência em jogo. Já campeão da competição continental com o Flamengo em 2019, ele pretende executar tudo que aprendeu, tanto na campanha vitoriosa pelo rival quanto o que deixou de fazer no Internacional, em 2023, quando foi eliminado para seu atual clube.
— O que fica é que você não pode em nenhum momento relaxar. É uma copa que tem algo especial, que em cinco minutos se decide muita coisa. Fui campeão em cinco minutos e também perdi uma final em cinco minutos. É um campeonato que é muito traiçoeiro . Você não pode se desligar em nenhum minuto, independentemente do adversário, porque em um minuto você pode se classificar ou ficar fora de uma competição.
+ Palmeiras x Fluminense: Barboza e Savarino, amigos no Botafogo, duelam em busca do bi da Libertadores + Palmeiras x Fluminense: onde assistir ao vivo, horário e escalações
— O ambiente provavelmente será hostil, um lugar em que são muito fortes, com gramado diferente. Acho que a experiência nesse momento conta muito e espero que nossos jogadores mais experientes possam ajudar os mais jovens nesse jogo fora de casa porque sabemos que será muito difícil. Mas a equipe do Palmeiras também tem jogadores experientes e que já passaram por esses momentos, mas temos jogadores com muita quilometragem em Libertadores, Seleção e em outros campeonatos pelo mundo. Temos que nos apegar nisso porque passamos por momentos assim e passar isso para todo o grupo, e que a família possa prevalecer em campo.
Em 2019, o Flamengo foi campeão sobre o River Plate com gols aos 43 e 46 do segundo tempo. Em 2023, o Flu superou o Internacional e chegou à final com gols aos 35 e 41 minutos, também da etapa complementar.
Entre risos — em versão pouco conhecida do torcedor — e falas mais sérias, o defensor de 36 anos recebeu o ge no CT Carlos Castilho para esse papo exclusivo. Para ele, o duelo desta quarta-feira será uma guerra, diferente do que aconteceu no jogo de ida, vencido pelos paulistas por 2 a 1.
Ao ver o jogo do banco no Maracanã, ele entende que faltou o time ser mais cirúrgico nas decisões e finalizar. Além disso, "estressar" mais a forte defesa palmeirense, que tem esse atributo como principal ponto para vencer seus confrontos.
— Esperamos uma guerra. É a palavra que define esse jogo. Muita luta, mas muita estratégia. Palmeiras é uma equipe muito perigosa, que nos momentos em que está sofrendo é muito perigosa. No primeiro jogo, quando fizeram gol, nós estávamos melhores. Quando você está dominando, eles conseguem alguma bola. Tem que saber a hora de atacar e defender, e estar sempre atento aos detalhes. É um time que tem um poder ofensivo muito forte e se defende muito bem. Esperamos uma guerra, cada bola, cada disputa, mas sabendo que precisamos de estratégia porque só na força vai ser muito difícil sair classificado. Mas, com estratégia, inteligência e uma boa disputa de bola em todo o lance, isso vai nos trazer a classificação.
—Jogamos bem, faltou um pouco o acabamento da jogada. O Palmeiras chegou a fazer uma linha de seis no 2º tempo. Faltou mais finalização, tentar arriscar algo diferente e ser mais objetivo. Tentar pesar mais a área, já que não temos um cabeceador nato, mas temos outros atacantes que podem entrar nessa bola pelo chão ou para trás. Foi assim que conseguimos o gol, até por cima, com um jogador que não é tão alto, mas fizemos o gol porque entramos com muitos jogadores na área - analisou.
Relação de longa data com Marcão
Uma das surpresas da entrevista foi uma experiência de Marcão no Sport, em 2012, como auxiliar. E foi naquele período que Renê conheceu o treinador e teve a oportunidade de jogar sua primeira Série A do Brasileirão, sob o comando do técnico Waldemar Lemos.
O treinador do Flu, naquela época, recém tinha pendurado as chuteiras e dava seus primeiros passos na carreira.
— Eu batia lateral com peso para jogar forte. Hoje em dia eu tenho um (arremesso) lateral um pouco forte graças aos treinos do Waldemar com o Marcão lá no Sport. Ficava lá até à noite, com o refletor ligado. Dois caras que me ajudaram e espero agora retribuir ajudando o Marcão a ser campeão nessa Libertadores, que é o que a gente pode fazer por ele - contou Renê.
A relação que já era de confiança, até mesmo no time carioca, transcendeu para uma luta ainda maior dos jogadores pelo treinador.
— Marcão é um cara "da hora". Quando era auxiliar, sempre estava ali, preocupado, perguntando como estava a família, com o nosso bem-estar. Sempre passando uma força, dando parabéns depois dos jogos. Sempre estava ali com a gente, abraçado, e depois virou o treinador. Ele tem o carinho do grupo, do clube e da torcida. E isso foi uma das coisas que nos ajudou a chegar até aqui, com esse carinho que todos têm pelo Marcão. É um cara que a gente respeita mais ainda depois que virou treinador, diminuindo as brincadeiras com ele (risos). Sem palavras para ele. Que a gente possa conseguir ser campeão e que seja dedicado a ele, que tanto fez por esse clube.
Recuperação e "teste" contra o Santos
Renê reassumiu a titularidade com Marcão, mas tratava da lesão desde o jogo contra o Corinthians no dia 20. Ele voltou a entrar em campo no último domingo, na derrota para o Santos por 2 a 1, no Maracanã.
Perguntado sobre como se sente, ele brinca e avalia:
— Sobrevivendo (risos). Estou bem. Acho que suportei bem o jogo (contra o Santos, em que retornou de lesão). Estou me sentindo até bem hoje, achando que as dores virão amanhã (na terça; a entrevista foi gravada na segunda-feira). Suportei bem o jogo, mas teve um momento em que deu uma abafada e que cansou um pouco as pernas, mas entreguei o que dava. Fiquei feliz por ter jogado todo o jogo sem cãibras e sem sentir nada no tornozelo. Claro que estava sem ritmo, passei um mês sem jogar, mas estou pronto. Se o professor optar por mim, vou estar pronto para ajudar minha equipe a chegar em mais uma final e, se Deus quiser, levantar mais uma taça.
— E fiz um sacrifício muito grande para estar disponível, a missão foi cumprida. Não participei (do jogo de ida), mas estava junto, passando energia positiva, dando um toque para ajustar algo. Mas foi triste, foi um momento que pretendo não passar de novo, mas, se tiver que passar, pelo menos que seja com a classificação.
Gol da esperança do "Bundinha"
A segunda surpresa do bate-papo foi a revelação do apelido do atacante Wesley Natã, responsável por dar esperança ao Fluminense rumo à final. Renê, considerado um dos mais "resenhas" e comentarista do grupo de WhatsApp dos jogadores, disse que o jovem atacante é chamado no grupo de "Bundinha".
Segundo ele, o apelido surgiu pelo porte avantajado do jogador quando subiu para treinar com o elenco profissional em 2025. O próprio Renê foi quem deu o apelido.
— Chamo ele de Bundinha. Chamávamos ele de outro, "feio", alguma coisa assim, mas eu arrumei esse apelido carinhoso. E quando ele subiu para treinar com a gente, ele tava mais fortinho. Aí a gente brincava: "pô, tem que perder essa bunda aí, está muito bundudo". Para ficar mais carinhoso, apelidamos ele de Bundinha. É um moleque "da hora" e gosta muito da resenha. Fica sempre perto pra eu colocar pilha.
— Quando teve aquele gol, a sensação foi de esperança renovada. A confiança, não só nossa, mas da torcida. A reação foi de acreditar mais ainda depois daquele gol. A gente até brinca com o John Kennedy, que aquele gol que ele fez lá contra o Rivadavia foi o que nos trouxe até aqui. E espero que esse gol do Wesley/Bundinha (risos) possa ser o gol que vai nos levar para a final.
O que "é meu e o boi não lambe"
Essa foi uma das frases citadas e explicadas pelo lateral. Uma expressão popular muito utilizada pelo jogador, inclusive nos bastidores, por conta da origem — a qual tem muito orgulho.
— Essa é uma frase que eu escutava muito quando era garoto no Piauí. Algumas frases que trago para não esquecer das raízes. Você é meu e ninguém toca (explicação). Vamos ver, passo a passo, vamos buscar classificar e, se chegar na final, olhar para a taça e dizer: "você é minha e o boi não lambe".
Renê também aproveitou o momento para fazer uma longa reflexão da sua vida profissional, sobre a qual, em outra entrevista para o ge, revelou se sentir subestimado no futebol brasileiro.
— Penso pouco sobre isso, mas pode ser que conquistando o título algumas pessoas pensem diferente. Mas pensamento segue o mesmo. Independentemente de ser subestimado ou não, eu sei o meu valor. Claro que sei que não sou um craque, mas tenho o meu valor e é por isso que consegui chegar onde cheguei. Graças a Deus tenho uma resiliência muito boa. E de onde eu vim veio essa força para buscar sempre dar o meu melhor, claro que temos erros e acertos, mas vida que segue. Sendo subestimado ou não, gosto de ser campeão. Entrar em campo, jogar. O que eu posso controlar é estar me cuidando, treinando, fazer o meu melhor para estar em campo. Agora, jogar bem ou não, foge de mim (risos). Eu brinco com os meninos: "fiz botinha, massagem, câmara hiperbárica, banheira, sauna. E agora tá com Deus". Minha parte eu já fiz. Se eu vou jogar bem ou não, só no dia do jogo e cada um tem a sua história. Às vezes os craques falham, carregador de piano também falha e felizmente essa é a nossa vida. Entrar em campo, dar meu melhor e, se Deus quiser, ser campeão. Se mudar a cabeça de alguns, bem, mas vou ficar mais feliz com um título em casa e nome na história de mais um time grande do futebol brasileiro - concluiu.
+ O mercado do Cartola vai fechar! Monte seu time agora!
+ Compre já seus ingressos para os jogos do Fluminense
+ ✅Clique aqui para seguir o novo canal ge Fluminense no WhatsApp
🗞️ Leia mais notícias do Fluminense
🎧 Ouça o podcast ge Fluminense
Assista: tudo sobre o Fluminense no ge, na Globo e no sportv




