Esportes
Rebeca Andrade é tricampeã do salto e conquista 10ª medalha em Mundiais de ginástica
Campeã olímpica recoloca o Brasil no pódio e se torna a primeira brasileira a faturar três ouros em uma mesma prova do Mundial de ginástica artística
GLOBOESPORTE.COM / JULIA GUIMARãES E LORENA DILLON
Rebeca Andrade voltou ao topo do pódio do Mundial de ginástica artística. Sob o olhar de Simone Biles em Roterdã, a campeã olímpica brilhou na final do salto com dois voos quase perfeitos para conquistar o tricampeonato mundial do aparelho. Neste sábado, a ginasta de 27 anos se vestiu de azul, sua cor da sorte, para recolocar o Brasil no pódio de um Mundial depois da ausência em 2025. Rebeca conquistou sua décima medalha na competição para somar às seis condecorações olímpicas e se consolidar no hall de lendas da ginástica, entrando no top-10 do quadro de medalhas em provas individuais na história.
Os canais sportv transmitem ao vivo as finais do Mundial de ginástica artística.
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- Esse ouro mostra que tudo que a gente tem feito da melhor maneira possível está dando certo, né!? (risos) Não fiz os saltos mais difíceis da minha carreira, mas isso foi suficiente para trazer o ouro. Tô bem feliz e orgulhosa.
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Recordes de uma lenda
Rebeca se tornou a segunda tricampeã mundial do salto da história. Apenas a chinesa Cheng Fei havia alcançado esse feito, algo que nem Simone Biles conseguiu, bicampeã mundial do salto.
A ginasta de 27 anos também se tornou a primeira brasileira tricampeã mundial - apenas Diego Hypolito no solo e a própria Rebeca no salto tinham dois títulos de uma mesma prova.
Dona de seis medalhas olímpicas (duas de ouro), Rebeca chegou a dez em Mundiais, sendo quatro de ouro - além dos três títulos do salto, foi campeã do individual geral em 2022. Contando apenas provas individuais, a brasileira entrou para o top-10 da história no quadro de medalhas, empatada com a soviética Yelena Shushunova na nona posição. Rebeca tem um lugar no hall de lendas da ginástica artística.
A perfeição que leva ao ouro
Voltando de um ano sabático para recuperar corpo e mente do desgaste para faturar quatro medalhas nas Olimpíadas de Paris, Rebeca planeja uma evolução gradual até Los Angeles 2028. Nesse retorno, ela ainda não apresentou o seu principal salto, o Cheng, mas apostou na precisão digna de uma campeã olímpica. Com um Yurchenko com dupla pirueta e um Lopez com execução sempre acima de 9,300 pontos, ela nem precisou pular etapas e antecipar o Cheng.
Com média de 14,466 pontos, Rebeca superou a americana Claire Pease, que apresentou o Cheng mas só conseguiu 14,233. Campeã do individual geral em Roterdã, a americana Skye Blakely completou o pódio, com os mesmos saltos de Rebeca e 14,166 de média. Bronze nas Olimpíadas de Tóquio e maior concorrente da brasileira na Holanda, a sul-coreana Yeo Seojeong sofreu uma queda e acabou na sétima posição.
Sob o olhar de Simone Biles
Ginasta mais condecorada da história com 30 medalhas em Mundiais e 11 em Olimpíadas, Simone Biles foi convidada de honra do Mundial de Roterdã. A americana de 29 anos não compete desde os Jogos de Paris. Ela não confirmou seu retorno à ginástica, mas também não descartou competir em Los Angeles 2028. Os Estados Unidos garantiram a classificação da equipe feminina com a prata na Holanda. Neste sábado, Simone viu de camarote Rebeca Andrade alcançar um feito que ela não tem: tricampeã mundial.
Brasil tem mais uma chance de pódio em Roterdã
O Brasil tem mais uma chance de medalha no Mundial de Roterdã. Neste domingo, a partir das 9h (de Brasília), Flávia Saraiva compete na final da trave.
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A final
Bronze nas Olimpíadas de Tóquio e maior concorrente de Rebeca, Yeo Seojeong abriu a disputa com um ótimo primeiro voo para 14,600 (5,4 de dificuldade), a maior nota em um único salto neste Mundial. Só que a sul-coreana não conseguiu altura no Yurchenko com dupla pirueta (DTY) e sofreu a queda, derrubando a média para 13,716.
Atual vice-campeã pan-americana do salto, a canadense Lia-Monica Fontaine acertou o DTY e o Lopez, só teve saltos grandes nas chegadas e ficou com média 14,083. Campeã do individual geral no Mundial de Roterdã, a americana Skye Blakely fez os mesmos saltos que Lia-Monica com execução ligeiramente melhor: média 14,166. A britânica Abigail Martin também apresentou a dobradinha DTY e Lopez, com mais falhas de execução: média 13,716. A canadense Ellie Black apresentou saltos muito bem executados, mas com menor dificuldade e conseguiu média de 13,966.
Chegada a vez da campeã olímpica, Rebeca foi perfeita no DTY repetindo os 14,400 da classificatória e da final por equipes, só teve um pequeno passo na chegada. A brasileira também fez um Lopez muito bem executado, apenas com um pequeno passo na aterrissagem para 14,133. Com os 0,2 de bonificação, ela ficou com média 14,466 para assumir a liderança e já garantir o pódio.
- Tento manter a tranquilidade. Já sou uma pessoa tranquila, então dentro da competição eu só fico respirando. Falo: "Você está pronta para fazer o que você veio fazer. Não se preocupa e faça o seu melhor". É isso que tento fazer na hora - disse Rebeca.
A americana Claire Pease ainda era uma ameaça ao ouro de Rebeca, já que vinha apresentando um Cheng, salto de maior grau de dificuldade. Ela melhorou sua execução em relação à classificatória e às finais por equipes e do individual geral para conseguir 14,366. Só que Claire aterrissou fora da área no segundo voo, ficando com média 14,233.
A mexicana Victoria Mata fechou a disputa com um primeiro salto muito forte para 14,366. Só que o segundo voo da ginasta não tinha dificuldade para colocá-la na briga pelo pódio, fazendo a média cair para 13,933.
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