Coronel Sapucaia
Caem as árvores: as primeiras matas cortadas tinham pouco valor
MáRIO SéRGIO LORENZETTO / CAMPO GRANDE NEWS
Os tupis a chamavam “ibirapitanga', árvore vermelha. Nos 1.500, era farta do litoral carioca ao sergipano. Os franceses diziam ser “brésil'. Cor de brasa. Pau-brasil. Dava tintura vermelha. A do Oriente tinham melhor qualidade. Ainda que tivessem pouco valor, quando comparadas às asiáticas, rendiam seis vezes o custo da extração e operação. Dom Manoel, o rei português, terceirizou o Brasil a um grupo de mercadores que enviaram quatro navios. Percorreram o litoral nordestino e voltaram carregados dessas árvores. Os índios cortavam essas árvores em toras de 1,5m, cada qual pesando 30 quilos. As derrubadas foram aumentando. Em poucos anos, já era preciso se afastar 20 km do litoral para achar alguma que valesse o corte. A história do Brasil está intimamente ligada ao desmatamento. A história é repetitiva em todos os rincões: de um rio ou do mar, adentram a terra desmatando.
O processo da coivara indígena. Uma lenda foi recentemente criada: índio nunca derruba árvores, preserva-as. A coivara era uma técnica agrícola tradicional de corte e queima das árvores usada há séculos por povos indígenas do Brasil inteiro. Derrubavam as árvores, separando a madeira útil e amontoando o restante. Após a secagem, ateavam fogo nos galhos e folhas empilhados. As cinzas resultantes, forneciam nutrientes ricos em fósforo, potássio e magnésio ao solo onde realizariam o plantio. O valor das árvores era apenas de subsistência.
A primeira mata derrubada por um branco no MS. Para a abertura de caminhos e desbravamento do Mato Grosso do Sul, Cabeza de Vaca, o primeiro branco a pisar neste território, derrubou algumas matas, especialmente as ciliares, próximas aos rio Paraguai. O espanhol comandou uma grande expedição subindo o Rio Paraguai em direção ao norte. É impossível saber até onde chegou. Suas tropas e canoas tiveram que abrir caminho cortando vegetações de áreas de transição e matas para estabelecer acampamentos e pontos de apoio. Apesar das dificuldades, entraram longe do rio nas terras alagadas do Pantanal. Eram aproximadamente 400 espanhóis, 800 índios e 26 cavalos. Não tinham alternativa para procurar riquezas no território. As matas eram fechadas. Derrubaram muitas árvores. A alternativa era derrubar ou voltar derrotado.
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