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S do Senna, Laranjinha, Mergulho: saiba como surgiram os nomes das curvas de Interlagos
Mais famoso trecho do circuito, S do Senna não agradou Ayrton, e tricampeão pensava em homenagear outro piloto brasileiro
GLOBOESPORTE.COM / BRENO PEçANHA E BRUNA RODRIGUES
O piloto abre a volta, contorna o S do Senna, passa pela Curva do Sol e, depois de cruzar a Reta Oposta, chega à Descida do Lago. Se você já assistiu a uma corrida de Fórmula 1 em Interlagos, com certeza se deparou com esses e outros nomes marcantes das curvas no Autódromo José Carlos Pace.
Interlagos ganha mural com homenagem a Senna e São PauloAcesse o canal de automobilismo do ge no WhatsApp🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google
Mas você sabe por qual razão cada uma delas recebeu esse nome? Como preparação para o GP de São Paulo deste ano, que ocorrerá no próximo domingo (8), o ge mostra a explicação de cada uma das curvas do traçado de 4,309km. Veja abaixo!
S do Senna
As duas primeiras curvas do circuito são as mais famosas. O S do Senna não existia na configuração original de Interlagos, que foi sede da Fórmula 1 no Brasil entre 1972 (com o primeiro GP de exibição) e 1980. Depois, a casa da categoria em solo brasileiro passou a ser Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, e a F1 só retornou a São Paulo em 1990.
Por ocasião do retorno, o traçado original de 7,960km foi reduzido quase pela metade. Algumas curvas deixaram de ser utilizadas, e outras foram criadas: caso do S do Senna.
A homenagem ao tricampeão se deu por dois motivos; primeiro, porque foi Ayrton quem sugeriu que ela saísse da antiga curva 1 direto para a Curva do Sol. Antes, o trecho era de alta velocidade e desembocava na curva 2, que não existe mais. Segundo, porque o formato em S remete à letra inicial do sobrenome da lenda do automobilismo.
Curiosamente, o próprio Senna queria que outro piloto fosse homenageado no nome da curva: Chico Landi, um dos pioneiros do Brasil na Fórmula 1. E o então piloto da McLaren acabou nem gostando do resultado:
– Não é nada disso. Eu queria um esse de alta velocidade em que você viesse no final da reta dos boxes, em sexta marcha, fizesse o esse em quarta marcha, alguma coisa parecida com o que tem no México, usando o declive. Não era chegar aqui e parar – disse Senna, em declaração reproduzida pelo livro "Ayrton, o herói revelado", de Ernesto Rodrigues.
Curva do Sol
A primeira curva mantida desde o traçado original. O nome do trecho também remete a uma curiosidade histórica: hoje percorrido no sentido anti-horário, Interlagos foi pensado para que os carros andassem no sentido horário. Essa curva era contornada dessa maneira, e os raios de sol atrapalhavam a visão dos pilotos – o que rendeu o batismo relacionado a essa característica.
Descida do Lago
Ao saírem da Curva do Sol e passarem pela Reta Oposta, os pilotos chegam à Descida do Lago, uma das principais zonas de ultrapassagem da pista. O trecho que compreende as curvas 4 e 5 tem esse nome por ser a mais próxima do lago que há no Autódromo de Interlagos.
No traçado original, a curva era contornada no sentido oposto; por causa disso, o nome antigo do trecho era Subida do Lago.
Ferradura
Outra curva que sobreviveu às mudanças no traçado de Interlagos ao longo das décadas. Essa parte do circuito tem esse nome por causa do formato, semelhante ao de uma ferradura. Simples assim.
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Laranjinha
Essa curva tem uma história curiosa. Antes da reforma de Interlagos, ela era chamada apenas de Laranja – e o nome tinha a ver com a característica do local. Os pilotos não conseguiam enxergar bem o ápice da curva, e os mais inexperientes erravam ou tiravam o pé do acelerador. Na época, os novatos eram chamados de "laranjas", por isso o nome.
Com as mudanças no traçado, a antiga curva foi encurtada e passou a ser chamada de Laranjinha.
Esse
Já existia no traçado utilizado na década de 70, ligando o Laranja (ou Laranjinha) ao Pinheirinho. Tem esse nome devido ao formato, que remete à letra "S".
Pinheirinho
O trecho recebeu esse nome pois havia um par de pinheiros localizados na área de escape. As árvores não estão mais lá: foram retiradas por questões de segurança, a pedido do bicampeão Emerson Fittipaldi. O batismo foi mantido.
Bico de Pato
Chegando à parte final do circuito, o Bico de Pato tem esse nome por seu formato, semelhante... a um bico de pato. Os pilotos aceleram forte por um curto período de tempo ao saírem do Pinheirinho, mas precisam frear logo em seguida para contornar a curva de baixa velocidade, que leva ao Mergulho.
Mergulho
Apesar do nome e de suceder a curva Bico do Pato – um animal aquático – a curva não tem nada a ver com água. O trecho foi batizado desta forma devido à diferença de elevação em relação à anterior.
Ao sair do Bico de Pato, a sensação para quem está acelerando é de que o carro está mergulhando rumo à próxima curva. Por isso o nome.
Junção
No traçado original de Interlagos, o anel externo da pista era composto por curvas que formavam praticamente um desenho oval. A antiga curva 3 possuía uma ligação direta com a Subida dos Boxes, embora na Fórmula 1 os pilotos não fizessem esse trajeto: eles saíam do trecho rumo à extinta curva 4 e à Ferradura.
Esse ponto de ligação entre o oval e a parte mista do circuito ganhou o nome de Junção, mantido até hoje – ainda que as antigas curvas não estejam mais presentes.
Subida dos Boxes
A curva que encerra o circuito e leva à reta principal. O nome é autoexplicativo: o trecho dá acesso à entrada dos boxes. Uma curiosidade: em 2010, a prefeitura de São Paulo fez uma homenagem e passou a chamar a reta de "Reta de Chegada Emerson Fittipaldi".
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