Coronel Sapucaia
PM preso por suspeita de ligação com PCC perde vaga em curso para sargento
Haune Faker Duarte foi detido no dia 29 de outubro; advogada, mulher dele também está presa
HELIO DE FREITAS, DE DOURADOS / CAMPO GRANDE NEWS
O policial militar Haune Faker Duarte, de 36 anos, preso preventivamente sob suspeita de fornecer informações sigilosas ao PCC (Primeiro Comando da Capital), foi desligado do Curso de Formação de Sargentos da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. A decisão consta de portaria assinada em 29 de outubro e publicada em documento datado de terça-feira (3), cinco dias depois da prisão do militar durante a Operação Consorte.
Haune integrava o 31º Curso de Formação de Sargentos da Polícia Militar, destinado à promoção de integrantes da corporação. Ele acabou preso no dia 29 de outubro, dentro do CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças), em Campo Grande, durante ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), acompanhada pela Corregedoria da Polícia Militar.
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O desligamento consta da Portaria nº 021/CEFAP/PMMS, assinada pelo major Adolfo Hoffmann, comandante do centro de formação. O documento identifica Haune como aluno-sargento e determina sua exclusão da atividade de ensino com fundamento no artigo 63 da Diretriz de Ensino da Polícia Militar e em dispositivos do edital do curso.
A medida também faz referência à Portaria nº 013/CEFAP/PMMS, de 9 de setembro de 2026, que estabelece critérios relacionados ao desligamento de alunos. O ato administrativo, entretanto, não detalha a situação criminal do policial nem apresenta expressamente sua prisão como justificativa para a exclusão.
A portaria trata especificamente da permanência de Haune no curso de formação. O documento não informa a abertura ou conclusão de procedimento disciplinar para avaliar sua permanência na corporação, a qual integra desde 2014.
Suspeita de ligação com facção
Moradores em Dourados, Haune e a esposa, a advogada Raianni Caroline Almeida Passos, de 37 anos, foram presos preventivamente no dia 29 de outubro durante a Operação Consorte. Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), os dois exerciam funções estratégicas em benefício do PCC.
Conforme investigação, o policial teria utilizado sua condição de integrante da Polícia Militar para consultar dados restritos e repassar informações de interesse da organização criminosa.
Os investigadores identificaram acessos ao Sigo (Sistema Integrado de Gestão Operacional), plataforma utilizada pelas forças de segurança pública. O Ministério Público sustenta que parte das consultas realizadas pelo militar não tinha relação com suas atividades profissionais.
A suspeita é de que Haune utilizava o acesso privilegiado ao sistema para obter informações que posteriormente chegavam a integrantes da facção. Os investigadores analisaram registros de consultas, comunicações e outros elementos para identificar os dados compartilhados e os possíveis beneficiários.
A esposa do militar também aparece na investigação. Segundo o Gaeco, Raianni exercia papel relevante na chamada 'Sintonia dos Gravatas', estrutura responsável pela articulação de advogados ligados ao PCC.
O Ministério Público atribui à advogada a intermediação de comunicações entre integrantes presos e membros da organização que permaneciam em liberdade. A investigação também aponta suspeitas de participação no repasse de informações estratégicas e na distribuição de recursos.
Prisão determinada pelo TJMS
A prisão do casal ocorreu por determinação da 2ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), que acolheu recurso apresentado pelo Ministério Público.
Inicialmente, o Juízo das Garantias havia autorizado buscas e apreensões, mas rejeitado o pedido de prisão preventiva. Os promotores recorreram, sob o argumento de que a liberdade dos investigados representava risco à ordem pública e ao andamento das investigações.
Em decisão de 30 de julho deste ano, os desembargadores acompanharam, por unanimidade, o voto do relator, Carlos Eduardo Contar, e determinaram as prisões. Os mandados, entretanto, só foram cumpridos em outubro.
O Tribunal considerou a possibilidade de continuidade das condutas investigadas. No caso de Haune, a preocupação envolvia o acesso a sistemas policiais e a informações sigilosas. Em relação à advogada, os desembargadores avaliaram o risco de manutenção da comunicação entre integrantes da facção dentro e fora dos presídios.
O policial e a esposa foram encaminhados ao Presídio Militar Estadual, em Campo Grande. No caso de Raianni, a transferência ocorreu por autorização judicial, em razão das condições de custódia e das prerrogativas profissionais da advocacia.
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