• Sexta, 01 de Maio de 2026

Antijogo e "técnico odiado" podem levar Getafe à Champions com 2º pior ataque de LaLiga; entenda

Com nove temporadas à frente do clube de Madri, José Bordalás é querido pela torcida e criticado por rivais por implementar jogo baseado em marcação, faltas táticas, provocações e tempo desperdiçado

GLOBOESPORTE.COM / CAíQUE ANDRADE


Torcedores do Getafe idolatram Bordalás e usam seu bordão: "Isso é futebol, Papai" — Foto: Marca

O futebol espanhol é notabilizado por seu estilo técnico, de valorização da troca de passes e jogo ofensivo. Mas existem exceções. O Getafe do treinador José Bordalás, por exemplo, é um caso à parte. O time é reconhecido e criticado pelo antijogo, que inegavelmente entrega resultados. A equipe ocupa a sexta posição de LaLiga e briga por uma vaga na Champions mesmo com o segundo pior ataque do torneio.

Além de ter o segundo pior ataque, o Getafe é o time que menos criou chances de gol (43), com mais cartões amarelos (95), com menor média de posse de bola (38%), com menos passes trocados, menos dribles e mais faltas cometidas. Mas também tem a terceira defesa menos vazada e está a seis pontos da quinta posição, que deve dar vaga na próxima Champions League - a confirmação ainda depende dos coeficientes da Uefa se manterem como estão.

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Bordalás assumiu o Getafe em 2016/17, na segunda divisão. Conseguiu o acesso e, em 2017/18 ficou na oitava posição de LaLiga. Na temporada seguinte, ficou no quinto lugar, se classificando para a Liga Europa . É importante ressaltar que, apesar de todas as críticas e ironias em torno do personagem, se trata de um treinador que levou o clube a um outro patamar, e o ge te mostra agora detalhes deste trabalho.

Estilo de jogo

Com os números da equipe, é difícil de sustentar a tese de que Bordalás não é um treinador defensivo. No entanto, sua inspiração em Cruyff, revolucionário como jogador no "Futebol Total" da seleção holandesa e histórico treinador do Barcelona, tem algum sentido se analisarmos a intensidade.

O técnico do Getafe prioriza o preparo físico de seus jogadores e exige grande agressividade na tentativa de roubar a bola. Por isso é o time com mais interceptações no Espanhol. E quando não conseguem o desarme, não têm problemas em parar o jogo com faltas.

— O mister nos pede para estarmos vivos, intensos. Se formos mais ágeis e espertos que o adversário a cada instante, as circunstâncias se voltam a nosso favor — disse Cucurella, do Chelsea, nos tempos de Getafe.

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Adversários saem do sério

E não é só com as faltas que o Getafe apela durante as partidas. A equipe costuma fazer cera, ganhar tempo, provocar e tirar os adversários do sério. Sobram casos de entrevistas de rivais reclamando duramente da forma de jogar do time de José Bordalás.

"O Getafe não joga para entreter o público. Me incomoda ver seus jogos" - Frenkie de Jong, volante do Barcelona.

"Não se pode permitir que só se joguem 25 minutos em cada tempo. Isso não é futebol. Isso é outra coisa. O sangue me ferve" - Quique Setién, quando era técnico do Betis.

"Me parece uma vergonha que se perca tempo desse jeito. Isso não é futebol. Não faz parte do futebol. Sei que isso vem de Bordalás. Todos na primeira divisão já o conhecemos, sabemos como joga o time dele" - Iñaki Williams, atacante do Athletic Bilbao.

"Nunca tinha vivido algo assim. É algo novo para mim e tenho que me acostumar. Não quero falar sobre isso, mas eles estiveram gritando o jogo todo" - Hansi Flick, técnico do Barcelona.

As declarações acima são só alguns dos exemplos de críticas ao trabalho de José Bordalás. Em setembro, Ferrán Torres, do Barcelona, disse que o Getafe "não propõe nada" e "para muito as partidas com faltas". Bordalás respondeu dizendo que a opinião do atacante do Barça é "muito tendenciosa, porque a diferença de valor das duas equipes é de 1 bilhão (de euros)".

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Bordalás responde às críticas com muita naturalidade e boa dose de sarcasmo, em determinados momentos. Assim, criou o bordão "Esto es fútbol, Papá" (tradução de "Isso é futebol, Papai"), já aderido pelo clube e que virou música da torcida. Ouça no vídeo abaixo.

Ida ao Valencia e volta como herói

Após ter ascendido com a equipe em 2016/17 e classificado à Liga Europa duas temporadas depois, Bordalás partiu, em 2021, para um desafio no Valencia. Com uma equipe mais tradicional e um orçamento maior, no entanto, ele não conseguiu grande êxito, com um 9º lugar no Campeonato Espanhol. Na Copa do Rei, foi à final, mas perdeu para o Betis. O treinador acabou demitido em 2022 por desententimentos com a direção. O Valencia já vivia grande crise administrativa.

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Bordalás passou a temporada 2022/23 quase toda sem clube, até ser convidado para assumir o Getafe novamente no fim da campanha. Faltavam sete partidas, e a equipe estava na zona de rebaixamento. Na última rodada, conseguiram escapar da queda, e o técnico se consolidou como ídolo.

O treinador alcançou três das quatro melhores colocações da história do Getafe na LaLiga: quinto lugar e duas vezes a oitava colocação, além de um sexto lugar anterior. Na atual temporada, a equipe pode igualar sua melhor posição de todos os tempos na elite espanhola. Isso em um clube que tem projeção de faturamento anual inferior a 60 milhões de euros, que é menos do que o Real Madrid pagou no zagueiro Huijsen.

Na situação de momento, o Getafe está se classificando para a Liga Europa, com a sexta posição. Para assumir o quinto lugar, precisa tirar seis pontos de vantagem do Real Betis. O time de José Bordalás enfrenta o Rayo Vallecano no próximo domingo.



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