Esportes
Conheça a ativista que resgatou mais de mil animais nas enchentes no RS e é multicampeã na esgrima
Apesar de ser conhecida pela causa animal, Deise Falci tem um passado campeão no esporte. Início das enchentes de 2024 completam dois anos
GLOBOESPORTE.COM / ESTHER FISCHBORN E MARIANA DIONíSIO
As mais de 600 mil pessoas que acompanham a ativista Deise Falci pelas redes sociais não desconfiam que ela tem um passado vitorioso no esporte. Conhecida Brasil afora pelo trabalho voluntário com a causa animal, com mais de mil resgatados durante as enchentes no RS, Deise é também multicampeã da esgrima.
Natural da Bahia, mas radicada no Rio Grande do Sul, Deise tornou-se popular nas redes sociais durante a tragédia climática que atingiu os gaúchos em 2024 e completa dois anos nesta semana.
Dentro de um pequeno barco, de telhado em telhado, a mulher rodou Porto Alegre e região em busca de animais durante as enchentes de maio de 2024. Foram mais de mil animais resgatados. Antes de se tornar referência na proteção animal, porém, já estampava capas de jornais por suas conquistas esportivas.
A esgrimista antes da ativista
A jovem Deise tinha 17 anos quando entrou para história da esgrima nacional. Em novembro de 1997, na Venezuela, conquistou a medalha de ouro do Pan-Americano Cadete. Zebra da competição, foi a terceira esgrimista – e primeira no florete masculino e feminino – a vencer em um pan-americano.
A semente do esporte, porém, foi plantada quando Deise tinha nove anos. Após perder prazo para inscrição no tênis do Grêmio Naútico União, clube social de Porto Alegre, a menina foi encorajada por um mestre de esgrima, namorado de uma tia próxima, a tentar a mudança no esporte.
De brincadeira, o homem a colocou em posição de guarda e profetizou: "ela leva jeito".
A mãe de Deise negou o pedido da filha de tentar o esporte, já que acreditava que a menina era ainda jovem demais para esportes mais físicos.
– Até que um dia eu subi no oitavo andar, bati na campainha da minha avó e disse: “vó, me ensina como que eu faço para ir até o União, eu quero começar a fazer esgrima'. Eu tinha nove anos, caminhei a Venâncio Aires inteira, fui para o corredor do ônibus na Osvaldo Aranha, peguei uma lotação e vim no União. Eu olhei para a professora e disse: “eu vim fazer esgrima'. Nunca mais parei – conta.
A carreira deslanchou. Deise foi campeã nacional nas três armas da esgrima — florete, espada e sabre. Vieram títulos sul-americanos, vices pan-americanos e treinos na Itália, onde passou 50 dias para aprimorar técnica.
Depois, mais velha, a hoje ex-atleta abriu uma empresa para importar material de esgrima, ainda ativa. Morou sete anos em terras italianas e manteve rotina de treinos e competições até 2021, quando já conciliava a vida de atleta com a causa animal.
– Nunca teve um momento exato de parar. Foi acontecendo. Quando as competições voltaram, eu já estava com muitos bichos e não tinha estrutura para viajar – explicou.
Defensora dos animais
A paixão pela causa animal surgiu, de fato, em 2008, quando Deise cruzou com o cão Dumbo. A caminho de uma costureira, em Alvorada, na região metropolitana de Porto Alegre, para ajustar seus uniformes de esgrima, encontrou o animal debilitado e doente na porta de um minimercado.
– Quando eu vi a gratidão dele, sacudindo o rabinho, eu disse: "o dia que eu tiver dinheiro, vou pegar todos os cachorros que precisarem na rua". Eu só não imaginava que tinham tantos – lembrou.
Dumbo foi o companheiro de Deise por 17 anos e teve papel fundamental para inspirar outros resgates. Primeiro um, depois dois, depois ninhadas. Até mesmo amigos da esgrima adotaram com ela.
A rede de apoio multiplicou e chegou ao auge durante as enchentes no Rio Grande do Sul em maio de 2024. Através das redes sociais, Deise angariou ajuda financeira e atingiu uma visibilidade inédita. A ex-esgrimista ganhou notoriedade pela causa.
– O pessoal via praticamente tudo ali. Eu fazia lives no bote, resgatando. A visibilidade foi ótima para dar uma ajuda, principalmente financeira – contou.
Atualmente, aos 46 anos, Deise comanda feiras de adoção regularmente e continua resgatando animais. Segue também buscando atrair atenção a causa. Ganhou aliados, inclusive, já conhecidos pelos fãs gaúchos de esporte.
Em junho de 2025, o centroavante do Grêmio Martin Braithwaite adotou uma cachorrinha resgatada durante as enchentes no bairro Ilha das Flores, em Porto Alegre.
A mascote da família estava em uma feira de adoção organizada por Deise. Em novembro, outro "apadrinhado" pela esgrimista virou integrante da família Braithwaite.
— A Latte e o Capuccino, eles adotaram dois. Várias pessoas que adotaram comigo são conhecidas. Tanto o Braithwaite no mundo do esporte, como outros. É muito importante essas pessoas divulgarem o trabalho, como a Anne (esposa do Braithwaite), ela ajuda bastante, incentiva. É cada vez mais para outras pessoas se conscientizarem a adotar — afirmou.
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