Coronel Sapucaia
Mulheres costuram independência e renda em projeto sustentável
Oficinas unem qualificação, inclusão e rede de apoio entre participantes
GENIFFER VALERIANO / CAMPO GRANDE NEWS
O que começa com linha, agulha e tecido tem ido além do artesanato. Em Campo Grande, oficinas voltadas ao empreendedorismo e à produção sustentável têm transformado a rotina de mulheres que encontraram, ali, uma forma de gerar renda, construir vínculos e ressignificar a própria trajetória.
As atividades são realizadas por meio de parceria entre a Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável) e a Escola Mãe Luz, com foco na qualificação e inclusão.
Para muitas participantes, o primeiro impacto é o aprendizado de uma nova habilidade. Com o tempo, porém, os efeitos alcançam outras áreas da vida. É o caso de Ligianilma Santos, de 50 anos, mãe de duas filhas. Surda, ela encontrou nas oficinas uma forma de conquistar independência financeira. “É muito importante, porque aprendi a costurar para poder vender e ter meu próprio dinheiro', afirma.
A experiência também mudou a forma como Tatiana Costa Fernandes Ledeiros, de 50 anos, encara o dia a dia. Mãe e avó, ela destaca que o projeto rompe a rotina e amplia possibilidades. “É um projeto maravilhoso, que tira a gente da zona de conforto. Além disso, mães e avós passam a ter uma ocupação e uma oportunidade de renda, o que faz toda a diferença', diz.
Para Tatiana, o grupo vai além do aprendizado técnico. “A gente percebe que não está sozinha. Compartilhar experiências ajuda a refletir sobre os problemas e encontrar soluções', completa.
Entre as mesas de trabalho, o clima é de troca constante. Para Neiva Picolin, de 68 anos, sair de casa já representa uma mudança significativa. Acostumada ao home office, ela valoriza o convívio. “Como trabalho em home office, fico muito sozinha. Aqui a gente faz amizade, cria vínculos e nem tem tempo para pensar em coisas ruins', relata.
A inclusão também é parte central das oficinas. Zenir Midon Roa, de 59 anos, atua como intérprete e acompanha de perto a evolução das alunas surdas. “Elas aplicam o que aprendem nas oficinas e se tornam independentes. Mesmo sem um emprego formal, conseguem gerar renda com o próprio trabalho', explica.
A própria trajetória de Zenir reforça o impacto dessas oportunidades. “Eu precisava escolher entre trabalhar, cuidar dos filhos ou estudar. Mas consegui vencer: me formei aos 52 anos', conta. Sobre as participantes, ela resume: “Elas são muito dedicadas e esforçadas'.
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