• Quarta, 06 de Maio de 2026

Na última década, violência levou mais de 71 mil mulheres para UPAs em MS

Dados apontam aumento de casos de agressão contra pessoas do sexo feminino de todas as idades

KETLEN GOMES / CAMPO GRANDE NEWS


Mulher durante manifestação contra casos de feminicídio, na Praça Ary Coelho, em Campo Grande. (Foto: Raíssa Rojas)

As notificações de violência contra mulheres e meninas em Mato Grosso do Sul chegaram a 71.853 casos nos últimos 10 anos. Entre 2016 e 2025, foram 71,8 mil registros de violência geral, sendo 33.216 de violência física, 9.986 de violência psicológica e moral, além de 5.918 de violência sexual.

Os dados são do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), informados pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), e apontam que a maioria dos casos ocorre entre pessoas com Ensino Fundamental incompleto. Ao todo, são 12.136 vítimas só entre a 5ª e a 8ª série.

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A população parda é a que mais precisou de atendimento médico em decorrência de agressões, com 34.025 notificações. A SES destaca que os números indicam intensificação da violência contra mulheres e meninas no Estado ao longo da última década.

“Entre 2015 e 2025, foram registradas 121.308 notificações de violência em geral, considerando homens e mulheres. No entanto, ao analisar os casos femininos, observa-se um cenário preocupante. A violência atinge mulheres de diferentes idades, níveis de escolaridade e contextos sociais, com predominância de agressões dentro do próprio convívio', informou em nota.

A maior parte dos casos de violência física ocorre contra mulheres adultas e representa 75% do total. A secretaria também aponta que, apesar da predominância entre mulheres pardas, foram registrados 24.366 casos envolvendo mulheres brancas e 5.504 contra indígenas. “Isso reforça a necessidade de políticas específicas para populações vulneráveis', destacou a pasta.

Na maioria das ocorrências, as vítimas tinham vínculo com o agressor. Cerca de 16 mil casos foram cometidos por pessoas próximas, como cônjuges e ex-cônjuges, que lideram as notificações.

A assistente social Patrícia Ferreira, do Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), explica que, embora o primeiro atendimento ocorra nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), há protocolo municipal que orienta o acolhimento dessas vítimas.

Segundo ela, em casos de violência sexual, são realizadas profilaxias para prevenir infecções sexualmente transmissíveis. Já em situações envolvendo crianças e adolescentes, o Conselho Tutelar é acionado para acompanhamento. Quando a vítima é mulher, há orientação para formalização da denúncia.

Todos os atendimentos relacionados à violência são registrados no Sinan. Após a confirmação, os casos são encaminhados à atenção primária do município, responsável pelo acompanhamento.

“Espero que a gente consiga fazer movimentos para diminuir, a gente precisa diminuir o número de violências no nosso Estado', destacou Patrícia, que compara o aumento dos casos a uma pandemia.

Se você vive ou testemunha alguma forma de agressão, denuncie. O 180 atende 24 horas e pode orientar e acolher. Em situações de risco imediato, ligue 190. Seu gesto pode salvar uma vida.

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