Coronel Sapucaia
Sem remédio para eutanásia, CCZ orienta tutores a procurar clínicas particulares
Estoque da medicação está zerado há mais de 90 dias; prefeitura foi procurada para explicar a falta do insumo
VIVIANE OLIVEIRA / CAMPO GRANDE NEWS
Tutores de animais em estado terminal têm encontrado dificuldades para conseguir atendimento no CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) de Campo Grande. Sem a medicação utilizada para eutanásia há mais de 90 dias, a unidade orienta os tutores a recorrerem a clínicas veterinárias particulares. Atualmente, a unidade mantém apenas uma reserva técnica emergencial destinada ao atendimento de animais de rua sem tutor e de casos considerados de urgência. Esse caso foi sugerido por leitor que enviou mensagem pelo canal Direto das Ruas.
O problema foi relatado por um morador de 50 anos, que pediu para não ter o nome divulgado. Ele procurou o serviço após a cadela, da raça rottweiler, apresentar quadro compatível com leishmaniose. Segundo ele, o animal passou por exame, mas o resultado ainda não havia sido liberado. Enquanto aguarda, a cadela permanece em casa, debilitada, sem conseguir se alimentar e em intenso sofrimento.
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Ao entrar em contato com o CCZ, o tutor foi informado por uma servidora de que a unidade está desabastecida da medicação necessária para realizar a eutanásia. 'Infelizmente, não estamos realizando esse procedimento porque estamos sem a medicação. Não seria humanitário recolher o animal sem condições de oferecer o devido suporte', explicou a funcionária.
Ela informou que, diante da falta do medicamento, a orientação é que os tutores procurem clínicas veterinárias particulares para realizar a eutanásia. Após o procedimento, acrescentou, o CCZ pode fazer gratuitamente o descarte do corpo do animal, serviço que normalmente tem custo de R$ 10 por quilo.
Sem condições financeiras para arcar com o atendimento particular, o tutor contou que a cadela segue em fase terminal, mesmo após receber medicação prescrita por um veterinário. 'Ela permanece sem se alimentar e sofrendo muito. Estou preocupado também com a possibilidade de transmissão da doença', disse.
A servidora esclareceu que a leishmaniose é uma zoonose transmitida exclusivamente pela picada do mosquito-palha infectado, e não pelo contato direto entre o cão e as pessoas. Segundo ela, o uso de coleiras repelentes ajuda a impedir a picada do vetor e interromper o ciclo de transmissão da doença.
Atualmente, conforme a funcionária, o Centro de Controle de Zoonoses tem priorizado apenas situações consideradas emergenciais. 'Nossa diretriz é realizar a eutanásia apenas em animais de rua, sem tutor, ou em casos de urgência extrema, como atropelamentos ou fraturas expostas, quando há compatibilidade com a nossa disponibilidade técnica. Para animais com tutor, não temos autorização para o acolhimento', afirmou. Para os demais casos, o serviço permanece suspenso.
O Campo Grande News entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para saber o motivo da falta do medicamento, quando o abastecimento será normalizado, quantos procedimentos deixaram de ser realizados em razão do desabastecimento e quais medidas estão sendo adotadas para resolver o problema. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.
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