Coronel Sapucaia
Comerciantes bancam segurança particular contra ladrões que invadem até igreja
Empresários relatam invasões por telhados e furtos de fios e de aparelhos de ar-condicionado
INEZ NAZIRA / CAMPO GRANDE NEWS
A sensação de insegurança levou comerciantes da região central de Campo Grande a tomar uma medida que, segundo eles, deveria ser responsabilidade do poder público: contratar segurança particular para vigiar as ruas durante a madrugada. A decisão veio após uma sequência de furtos em estabelecimentos comerciais e até em igrejas, principalmente entre 2h e 6h da manhã, período em que os empresários afirmam não haver patrulhamento.
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Para o proprietário da Bia MDF, localizada na Rua Maracaju, Faissal Buytendorp, a sensação é de impunidade. Ele afirma que já existem imagens e até suspeitos identificados, mas os furtos continuam ocorrendo. 'O que falta é policiamento ostensivo. Os agentes passam por aqui durante o dia, por um período curto e depois vão embora. O restante da noite fica sem qualquer vigilância', diz.
O gerente da empresa, Tiago de Brito, acredita que o problema também está relacionado ao aumento da circulação de pessoas durante a noite e à falta de fiscalização em diferentes pontos do Centro.
'Os furtos estão cada vez mais frequentes, tanto contra pedestres quanto contra comerciantes. O policiamento costuma ficar concentrado em determinados pontos e, quando as equipes saem, outras áreas ficam completamente desassistidas', afirma. Segundo ele, atos de vandalismo e depredação também passaram a fazer parte da rotina da região.
As queixas continuam em outro ponto do Centro. Há quase 20 anos na Rua 13 de Maio, o proprietário da Ótica Moderno, João Vitor de Mello, afirma que a violência se agravou nos últimos dois anos. 'Contratamos um segurança particular neste fim de semana porque não vemos policiamento na região. Os criminosos sobem nos telhados e levam tudo', relata. Segundo ele, além da própria loja, diversos comerciantes da quadra tiveram aparelhos de ar-condicionado, fios elétricos e outros equipamentos furtados.
João conta que os comerciantes chegaram a flagrar criminosos durante uma das ações e diz que a insegurança já coloca em dúvida a permanência no Centro. 'Pensamos seriamente em sair daqui. Gostamos do centro e construímos nossa história aqui, mas está ficando inviável'.
Quem articulou a contratação do vigilante foi Ismael Pena Gemon, proprietário de um estacionamento na Maracaju. Segundo ele, comerciantes da quadra procuraram ajuda depois que uma loja e uma igreja voltaram a ser alvo de criminosos. 'Agora ainda precisamos arcar com um segurança particular. Essa responsabilidade não deveria ser nossa. Pagamos impostos e esperamos que a segurança seja garantida pelo poder público', critica.
Na BK Personalizações e Gravações a Laser, a proprietária Fabiana Rodrigues de Melo contabiliza os prejuízos causados pelo furto de cabos elétricos. O crime deixou a empresa e imóveis vizinhos sem energia e obrigou a empresa a interromper as atividades por praticamente um dia inteiro.
'Foi necessário contratar um eletricista e comprar novos fios para concluir o reparo', explica. Ela também aderiu ao grupo de comerciantes que divide o custo de um vigilante particular, mas afirma que a medida não resolve o problema. 'O segurança observa a frente dos imóveis, mas os furtos acontecem pelos telhados e pelos fundos'.
Já a proprietária da loja de costura, na Rua 13 de Maio, Samara Oliveira relata que enfrentou três noites consecutivas de prejuízos. Primeiro, teve os fios do padrão de energia cortados. Dias depois, utilizaram o imóvel para acessar a igreja vizinha, a Palácio de Deus, também para furtar a fiação do ar-condicionado.'O desgaste é enorme. Vou para casa sem conseguir dormir, sempre de olho no celular', afirma.
Ela calcula que a contratação de segurança representa um custo extra por mês. Além das perdas financeiras, diz conviver com o medo. 'Trabalho apenas com mulheres, libero todas até 16h, se não fica muito perigoso. Quando preciso ficar até mais tarde, peço para alguém me buscar porque não me sinto segura'.
No estacionamento 3W, o proprietário Wesley Gabriel de Souza conta que sofreu tentativa de furto no sábado (25) e que já danificaram o patrimônio e atingiram até terceiros. Um ambulante que guardava o carrinho no local teve toda a mercadoria furtada, acumulando prejuízo estimado entre R$ 300 e R$ 400. 'Cada fim de semana é uma surpresa. A gente chega na segunda-feira torcendo para encontrar tudo em ordem', lamenta.
A GCM (Guarda Civil Metropolitana) informou que realiza patrulhamento preventivo permanente na região central de Campo Grande e mantém acompanhamento das demandas apresentadas por comerciantes e moradores. “As ações são planejadas conforme a análise operacional e podem ser intensificadas sempre que necessário. As ocorrências registradas pelos canais oficiais são atendidas pelas equipes, que adotam as providências cabíveis'.
A reportagem também entrou em contato com a Polícia Militar e a Polícia Civil para informar se existe reforço no patrulhamento da região central durante a madrugada, quantas ocorrências de furto foram registradas no Centro neste ano, se há operações específicas voltadas ao combate desses crimes e quais ações estão sendo desenvolvidas para reduzir os casos, mas não haviam retornado aos questionamentos até a publicação desta matéria.
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