Coronel Sapucaia
Drones entram na rotina de presídio para caçar celulares e drogas em Dourados
Equipamentos passaram a monitorar telhados após o avanço das entregas ilegais pelo ar
KAMILA ALCâNTARA / CAMPO GRANDE NEWS
A maior prisão do interior de Mato Grosso do Sul começou a usar drones para tentar fechar o cerco contra celulares, drogas e outros objetos jogados para dentro da unidade. Na PED (Penitenciária Estadual de Dourados), os equipamentos passaram a sobrevoar telhados, áreas cobertas por telas e pontos onde os policiais têm dificuldade de enxergar do chão ou pelas câmeras de segurança.
A mudança veio depois que o modus operandi dos criminosos mudou também. Se antes os materiais eram arremessados por cima do muro, agora a Polícia Penal diz que começou a enfrentar outro problema: drones usados para entregar celulares, carregadores e entorpecentes diretamente dentro do complexo prisional. Em alguns casos, os objetos acabam presos nas telas de proteção ou ficam sobre os telhados até serem recuperados pelos internos.
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Parte dos pavilhões já recebeu telas de cobertura, o que reduziu os lançamentos feitos manualmente. Mesmo assim, segundo a corporação, ainda há tentativas de burlar o sistema usando drones que voam em maior altitude e descem os materiais com fios e linhas. É quase uma versão clandestina de delivery, só que para dentro do presídio.
Além de monitorar a área interna, os equipamentos também estão sendo usados para vigiar o entorno da penitenciária. Em uma das ocorrências recentes, policiais penais identificaram movimentação suspeita perto da unidade e ajudaram na abordagem de um homem que tentava levar materiais ilícitos para a região do presídio.
Para operar os drones, servidores da unidade passaram por treinamento específico. A capacitação é feita pelo Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e inclui técnicas de pilotagem, segurança operacional e uso dos equipamentos em ações de vigilância.
Diretor-adjunto da PED e responsável pela iniciativa, Ivan Gomes Plácido afirma que os drones ajudam principalmente nas inspeções dos telhados, reduzindo a necessidade de subir nas estruturas sem uma suspeita concreta. “Com o drone, conseguimos visualizar áreas que antes exigiam acesso direto aos telhados, o que reduz a necessidade de deslocamento dos policiais para inspeções físicas sem indicação prévia', afirmou.
Segundo a direção da unidade, a ideia é usar as imagens para direcionar melhor as revistas e diminuir a exposição dos servidores durante as operações.

