• Terça, 12 de Maio de 2026

Nascar é o sonho, mas projeto de autódromo em estádio desativado prevê outras categorias antes

Federação Gaúcha de Automobilismo planeja assumir concessão do Sessinzão, em Cidreira, com investimento de até R$ 50 milhões

GLOBOESPORTE.COM / TOMáS HAMMES


Projeto para transformar o Sessinzão em pista — Foto: Arquiteto Fernando Bittencourt - Divulgação, FGA

O plano para transformar o estádio Antônio Braz Sessin, o Sessinzão, em Cidreira, em um autódromo com pista oval prevê execução em etapas. O sonho é receber a Nascar, mas a primeira fase pensada pela Federação Gaúcha de Automobilismo (FGA) aposta em pistas de terra e kart para fomentar a cultura da modalidade na região.

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A FGA já tem desenhado o projeto. A entidade é a principal interessada em assumir o controle da área, mas precisa superar entraves financeiros e jurídicos. Qualquer outra empresa ou entidade, no entanto, poderá participar da licitação.

A obra está estimada em R$ 50 milhões e pode levar até 10 anos para ser finalizada. A duração da concessão prevista é de 30 anos.

– Conversamos com a prefeitura, que se colocou à disposição. O processo está em andamento. O município precisa promover a desinterdição junto ao Ministério Público – diz o arquiteto Fernando Bittencourt, membro do comitê de desenvolvimento da FGA.

Projeto em etapas

Até pelo montante, a entidade pretende executar o plano em etapas. Também não se projeta que o circuito seja asfaltado de imediato. Iniciará com uma pista de terra.

– Queremos começar com a pista de terra porque somos fortes no rali e no veloterra – diz o dirigente.

Bittencourt aposta em criar uma cultura de automobilismo, com diferentes categorias, como kart cross, rally sprint, encontro de jipes e prova de motos com obstáculos.

A expectativa é que o processo resulte em uma adesão maior, o que gerará visibilidade. A consequência será a chegada de novos parceiros, o que permitirá melhorias no autódromo.

O presidente da FGA, Arlindo Signor, afirmou ao ge que o projeto e a busca por investidores devem caminhar mais rápido a partir da autorização da Justiça.

– Quando conseguirmos uma melhor estrutura, área comercial, arquibancada e pista de asfalto, o projeto crescerá. Se o investidor for de kart, podemos mudar o projeto e destinar mais pista de kart do que para carros – revela Bittencourt.

E a Nascar?

O sonho de ter a categoria americana no litoral move o projeto. A pista oval terá 498 metros de extensão, pouco superior aos 400 m do Bowman Gray Stadium, na Carolina do Norte, inspiração da ideia.

Caso o projeto avance, os gaúchos discutirão com a Nascar se a pista terá inclinação e outras características técnicas. A capacidade do Sessinzão é de 17 mil pessoas, a mesma do Bowman Gray. A FGA avalia uma redução para 12 mil no futuro autódromo.

Para quando?

Bittencourt entende que o fato de ser um ano eleitoral é um complicador, mas espera os apoios público e privado na empreitada. A ideia é a construção de escolas técnicas para os jovens sem condições financeiras.

– Já temos empresários interessados, mas precisaremos da parte governamental. Há o lado social, inclusão e educação, para formação técnica de jovens, com cursos de mecânica e base no automobilismo – relata o arquiteto.

Por que no litoral?

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que Cidreira tinha 17.071 pessoas em 2022. Ou seja, o autódromo receberia quase a totalidade do local.

O dirigente alega que o período da enchente que devastou o Rio Grande do Sul em 2024 fez o litoral virar um refúgio das pessoas de Porto Alegre e proximidades. A distância de 113 km da capital até a praia é outro trunfo em cativar o povo a frequentar a pista.

– Muitas pessoas migraram ao litoral naquele período e são apaixonadas. Há um enorme grupo de kartistas que sente falta de um lugar para correr. Precisam vir a Porto Alegre. Cidreira está a cerca de 1h40. Dependendo de onde a pessoa mora em São Paulo, demora duas horas para chegar a Interlagos – completa Bittencourt.

O processo

Em 23 de abril, a Justiça do Rio Grande do Sul autorizou que a Prefeitura de Cidreira prossiga com os trâmites para a concessão do estádio à iniciativa privada. A estrutura, abandonada há 19 anos, pertence ao município.

Em novembro de 2025, a Câmara de Vereadores de Cidreira já havia aprovado a autorização para a prefeitura ceder a área do estádio.

Sessinzão está interditado

O estádio abandonado está interditado pela Justiça desde 2010 em razão de problemas estruturais. Em audiência recente, o Município de Cidreira manifestou o desejo de ter garantia de que haverá a desinterdição do local para quem vencer o procedimento licitatório.

O Ministério Público (MP) afirmou que a interdição existe com relação à utilização do estádio para eventos – mas somente até que pendências sejam resolvidas, seja diretamente pelo município ou por um parceiro.

O órgão se comprometeu a encaminhar a documentação para viabilizar a análise. O material incluirá a correção técnica dos laudos apresentados e a avaliação da viabilidade das reformas e adaptações necessárias para a desinterdição do estádio, além de eventuais exigências adicionais relacionadas à segurança.

Estádio já recebeu jogos da dupla Gre-Nal

O estádio Antônio Braz Sessin, apelidado de Sessinzão, foi inaugurado em 1996 ao custo de pouco mais de R$ 2 milhões. O objetivo era movimentar a atividade econômica e colocar Cidreira, cidade distante quase 150 quilômetros da capital Porto Alegre, no mapa do futebol brasileiro.

Os pouco mais de 17 mil habitantes da cidade, segundo o último Censo, não ocupariam todos os lugares do estádio. Atualmente, o local parece mais um monte de entulho do que uma alternativa para receber jogos de Grêmio e Inter. A dupla Gre-Nal chegou a mandar alguns jogos do Gauchão no local.

Quase três décadas se passaram desde a inauguração, e o estádio recebeu apenas 19 partidas oficiais de futebol, a última delas em 2007. Pouco tempo depois, em 2010, foi interditado por problemas estruturais e de alvarás. Virou mais um problema do que uma opção de lazer na pacata cidade do litoral gaúcho.



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