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Adversário do Fluminense, Operário-PR tem camisa 10 campeão com Mbappé: "Muito potencial"
Artilheiro e principal nome do Fantasma, Boschilia surgiu na base do São Paulo e jogou no Monaco quando o craque francês começou a despontar
GLOBOESPORTE.COM / RAFAELA RASERA
Principal nome do Operário-PR, Gabriel Boschilia chega ao Maracanã nesta terça-feira com uma bagagem rara no elenco do Fantasma. Adversário do Fluminense pelo jogo de volta da quinta fase da Copa do Brasil, o camisa 10 já foi campeão francês pelo Monaco com Mbappé e jogou ao lado de Kaká e Rogério Ceni, no início da carreira, no São Paulo.
Boschilia rapidamente despertou interesse do futebol europeu. Em 2015, foi negociado com o Monaco, clube pelo qual conquistou o Campeonato Francês na temporada 2016/2017 e acompanhou o início da ascensão de Mbappé, então uma das promessas das categorias de base do time francês.
— Ele era muito novo, mas sempre muito tranquilo. Ele estava subindo, buscando o espaço dele, mas já com muito potencial. Ele falava com os franceses , normal, bem focado no que queria e gente boa também — conta o camisa 10 do Operário-PR, em entrevista ao ge.
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Depois da passagem pela Europa, Boschilia retornou ao Brasil e vestiu as camisas do Internacional e do Coritiba, chegando ao Operário-PR em 2024. No Fantasma, se firmou como referência do time e já soma 25 gols em quase 100 partidas pelo clube.
Contra o Fluminense, Boschilia encara o desafio de ajudar o Operário-PR a surpreender no Maracanã. Com o empate sem gols no jogo de ida, quem vencer nesta terça-feira fica com a vaga nas oitavas de final. Em caso de novo empate, a decisão vai para os pênaltis.
— Aqui um jogo aberto, e agora vamos sonhar com a classificação e trabalhar pra isso acontecer — diz Boschilia.
Um jovem em Mônaco
Boschilia não tinha completado 20 anos quando desembarcou na França, em agosto de 2015. Após se destacar na base do São Paulo, ele foi adquirido pelo Monaco por 9 milhões de euros.
O meia conhecia pouco da realidade do clube, que vivia uma realidade de altos investimentos com o magnata russo Dmitry Rybolovlev, que anos antes comprou 60% da SAF e sonhava em derrubar a hegemonia do PSG.
— Quando eu fui, não tinha muita noção do Monaco, de como era. Não acompanho muito a Fórmula 1, então não sabia desse glamour, do que era [o principado de] Mônaco. Eu cheguei e não sabia falar inglês, não sabia falar francês, então a comunicação já foi um impasse bem difícil — conta o meio-campista ao ge.
Com Mbappé e Leonardo Jardim
Depois de seis jogos e um período de quatro meses emprestado ao Liége, da Bélgica, Boschilia voltou ao Monaco mais adaptado. Aprendeu a falar francês e teve mais oportunidades com o técnico Leonardo Jardim, no início da temporada 2016/2017.
O atual treinador do Flamengo chegou ao clube francês em 2014 e viveu um momento de turbulência depois de terminar a Ligue 1 na terceira posição em duas temporadas seguidas. Em 2016/2017, porém, o técnico conseguiria desbancar o PSG e ser campeão francês com o Monaco.
— Ele é muito bom treinador, quando cheguei ele já era o treinador, então tive muitos momentos legais e muito puxão de orelha. Me ajudou muito a crescer na Europa, a entender, porque fui muito cedo, eu estava só há um ano e meio no profissional quando fui para a Europa. Ele me ajudou muito a entender como que era a Europa, o futebol, os costumes — lembra Boschilia.
O time de Jardim para aquela temporada não era qualquer um. No meio de campo, Bernardo Silva jogava com a 10, e Thomas Lemar começava a se destacar rumo à Seleção Francesa na Copa do Mundo de 2018.
Na defesa o brasileiro Fabinho se tornou protagonista, além de Benjamin Mendy, que depois foi para o Manchester City. No ataque, o time contou com Falcão Garcia, que voltou a ter uma boa temporada.
— Foi um momento bem marcante na minha carreira. Eu era muito jovem, então às vezes nem tinha essa dimensão de estar num clube como o Monaco, com o Falcão, Bernardo Silva, Fabinho. Tinha muitos jogadores que já eram referência e às vezes a gente não tem essa dimensão — conta o meio-campista.
No banco de reservas, buscando se firmar no profissional, um jovem vindo da base do Monaco: Kylian Mbappé somava cinco jogos como titular quando Boschilia voltou à equipe . Após o título daquela temporada, Mbappé seria eleito o melhor jovem do Campeonato Francês. Ao todo, ele marcou 26 gols e teve 10 assistências em 44 jogos pelo time.
O Monaco terminou aquele ano com 107 gols na campanha do título francês, foram 30 vitórias em 38 jogos. A equipe superou o recorde de gols do PSG na temporada anterior. Na Champions League, o time do Principado chegou à semifinal, mas acabou eliminado pela Juventus.
Buscando um lugar nesse forte meio de campo do Monaco, Boschilia fez 16 jogos naquela temporada, com oito gols e três assistências. Em fevereiro de 2017, quando o time do Principado goleava o Metz por 5 a 0, ele sofreu uma grave lesão no ligamento cruzado do joelho direito.
— Eu estava no título nosso da Ligue 1, estava na Champions. Infelizmente neste ano tive a lesão do cruzado, machuquei em fevereiro. Eu estive de agosto até fevereiro fazendo parte das viagens dos treinos, dos jogos desse grupo, e depois machuquei. Consegui acompanhar só algumas algumas viagens, mas estava ali, fazendo parte, consegui ajudar meus companheiros — lembra Boschilia.
O meia voltou ao time apenas na temporada seguinte, em outubro de 2017, mas não conseguiu mais espaço com Leonardo Jardim. Ele acabou emprestado ao Nantes, e depois foi vendido ao Internacional, voltando ao futebol brasileiro em 2020.
O início com grandes referências
O convívio de Boschilia com grandes jogadores começou desde a base do São Paulo. Quando o meio-campista surgiu no Tricolor, o time tinha Kaká, em seu retorno, além de Alexandre Pato e Rogério Ceni.
— Trabalhei com o Pato, trabalhei com o Kaká, com o Rogério Ceni. Acho que quando eu subi, o São Paulo tinha um elenco muito forte, de muitos jogadores já consagrados no futebol, aqueles jogadores raíz. E isso foi um espelho pra mim, para entender um pouco, criar maturidade dentro do vestiário, dentro do clube — lembra Boschilia.
— Eles me ajudaram muito. Foi um clube que eu sou eternamente grato, um clube que me projetou e eu consegui chegar na Europa através de São Paulo. Só tenho lembranças boas — disse.
Com Alex no comando
Mais recentemente, já no Operário-PR, Boschilia foi comandado por um dos grandes camisas 10 do futebol brasileiro: o ex-meia Alex, que treinou o Fantasma entre 2025 e o início deste ano.
— A gente não consegue chegar nem perto do que ele foi no futebol. As dicas dele eram muito boas, mas colocar para a gente fazer, era bem difícil. Sempre tinha uma análise que a gente conversava, uma análise individual, pós-jogo ou às vezes no treinamento — conta.
— Ele sempre dava dica, para estar perto da área, mostrava lances que eu fiz no jogo. Eu levo com muita gratidão, aprendizado. Foi um momento bem bacana — completa Boschilia.
Artilheiro do Operário-PR desde 2025
Na disputa da Série B e da Copa do Brasil, Boschilia vive mais um ano goleador com o Operário-PR. Em 23 jogos, ele marcou seis gols e deu três assistências. No ano passado, ele fez 15 gols e deu oito assistências em 54 jogos.
Na Copa do Brasil, Boschilia marcou diante do Betim, na vitória por 2 a 0 na segunda fase. Agora, ele projeta a partida no Maracanã, que está em aberto depois dos times empatarem a ida sem gols.
— Todo mundo sabe da qualidade que é o Fluminense, dos jogadores. É um adversário muito difícil, mas a gente não pode deixar de sonhar, de acreditar no nosso trabalho — analisou Boschilia.
Fluminense e Operário-PR se enfrentam nesta terça-feira, ás 21h30, no Maracanã. O ge acompanha em Tempo Real.
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