• Domingo, 07 de Junho de 2026

Harry Kane, Bellingham e Tuchel: os pilares da Inglaterra para a Copa do Mundo 2026

Atacante do Bayern de Munique lidera a geração que sonha quebrar jejum histórico

GLOBOESPORTE.COM / CABRAL NETO


Harry Kane pela Inglaterra — Foto: Divulgação/ Federação Inglesa

A Seleção da Inglaterra não sofre por falta de talento, mas sofre por excesso de expectativas.

Poucas seleções carregam um peso histórico tão grande. Afinal, foi em território inglês que o futebol moderno ganhou forma, com a criação das primeiras regras organizadas do esporte que mais tarde dominaria o planeta. Paradoxalmente, a nação que ajudou a inventar o futebol convive há décadas com uma relação frustrante com os grandes títulos.

Desde a conquista da Copa do Mundo de 1966, os ingleses conviveram com atletas de alto nível técnico, campanhas promissoras e expectativas elevadas, mas sempre esbarram em decepções que os impedem de transformar potencial em glória.

A proximidade da Copa do Mundo de 2026 reacende mais uma vez a esperança da torcida.

A federação contratou um comandante acostumado com a vitória.

Thomas Tuchel acumulou títulos nessa década, campeão da Liga dos Campeões, Mundial de clubes, Francês e Alemão; com Chelsea, PSG e Bayern de Munique.

O treinador domina amplamente os conceitos do seu jogo posicional. Tem obsessão pelo controle ofensivo da partida, mas com grande foco defensivo.

Tem vasto repertório tático, nunca se prendeu a um único sistema e não economiza nessas variações.

É considerado um especialista em torneios de mata-mata justamente por construir um sistema defensivo sólido, sempre baseado em altíssima pressão na marcação, inspirado pelos mesmos conceitos da escola de jogo de Ralf Rangnick, atualmente na Seleção da Áustria.

Uma geração inglesa talentosa não tem sido novidade nos últimos anos, mas um técnico com competência similar aos atletas, sim.

No aspecto tático, Tuchel tem buscado construir uma Inglaterra mais flexível e menos previsível. O sistema mais utilizado é o 4-3-3, com Rice atuando como pilar defensivo e dois meias mais à frente.

+ Harry Kane diz estar na melhor forma da carreira para a Copa do Mundo

Bellingham ocupando zonas mais avançadas e Kane funcionando como referência móvel no ataque. A proposta passa por controlar a posse de bola, pressionar alto quando possível e recuperar rapidamente a bola após a perda.

Dentro desse conceito de variações, também houve jogos em que Rice jogou mais adiantado, como meia armador ao lado de outro meia (Morgan Rogers, Bellingham ou Eze), com Henderson na base do meio-campo, por exemplo.

Essa capacidade de adaptação foi uma das marcas da carreira de Tuchel.

Dependendo do adversário e das circunstâncias da partida, o time inglês pode sofrer alterações entre os titulares e na própria formação tática.

Pode se transformar em um 4-4-1-1 mais compacto ou até mesmo utilizar uma estrutura com três zagueiros, formando um 3-4-2-1 ou um 3-4-3.

E, vale ressaltar, essa estrutura, nem sempre é escalada com três zagueiros de origem, alguns laterais ou volantes podem ocupar uma dessas vagas e assumir uma função diferente na partida.

Essas variações permitem alterar a postura sem precisar fazer mudanças radicais de peças.

O grande salto da Inglaterra, nos últimos anos, não está ligado apenas a uma nítida evolução na refinamento técnico individual de seus atletas, ele também aconteceu pelo crescimento de jogadores versáteis à disposição.

O conjunto inglês possui atletas capazes de desempenhar diferentes funções e isso oferece ao treinador soluções para cenários variados, algo fundamental em torneios curtos como a Copa do Mundo.

Sem contar, claro, com o enorme avanço no comando técnico do conjunto inglês. Com a saída de Southgate e chegada de Thomas Tuchel, profissional com disposição e competência para esgotar todas as alternativas táticas que o grupo de atletas oferece.

Qualidade por todos os cantos.

O English Team chega ao Mundial com um dos elencos mais qualificados para competir contra qualquer adversário. Ao mesmo tempo, permanece a dúvida que o acompanha há décadas: será que desta vez os ingleses conseguirão lidar com a enorme cobrança e corresponder nos momentos decisivos?

O destaque em campo continua sendo Harry Kane. Dono de incríveis 36 gols na conquista da Bundesliga, em 31 jogos, nessa última temporada, com o Bayern de Munique. Nenhum outro jogador do Campeonato Alemão chegou perto desses números: o vice-artilheiro terminou a competição com 17 gols a menos.

Capitão, líder técnico e muito mais do que um “simples' artilheiro.

Kane reúne características raras para um centroavante moderno. Além da precisão na hora de finalizar, é um atacante que participa da construção das jogadas, recua para criar superioridade numérica no meio-campo e possui visão de jogo suficiente para encontrar passes que muitos meias teriam dificuldade de executar.

Joga com a camisa 9, mas poderia vestir a 10.

É difícil encontrar um companheiro de ataque que não tenha evoluído jogando ao seu lado.

Quando Kane sai da área para buscar a bola, abre espaços para que os pontas e os meias ataquem as costas da defesa adversária. Sua leitura tática permite a alternância de ritmo ofensivo durante as partidas sem perder organização. Apesar das muitas virtudes coletivas, a Inglaterra, em vários momentos, ainda depende bastante dele para transformar posse de bola em situações reais de perigo.

Ao seu redor, existe um variado repertório.

Jude Bellingham é o atleta mais completo do elenco e parece imune ao peso dos grandes jogos.

A naturalidade com que lida com grandes responsabilidades já apareceu no Borussia Dortmund, se consolidou no Real Madrid e o acompanha em sua trajetória na seleção.

Ainda muito jovem, já combina liderança, personalidade e uma maturidade rara para sua idade.

Marca, cria, conduz o jogo e aparece nos momentos decisivos.

Com personalidade, força física e qualidade técnica acima da média, consegue atuar em praticamente todas as funções do meio-campo.

Sua habilidade de conduzir a bola, pressionar adversários e aparecer na área faz dele uma peça fundamental no projeto de Tuchel.

Se Harry Kane representa a experiência e a responsabilidade de uma geração que busca sua última grande oportunidade, Bellingham simboliza o futuro que já chegou.

Quando o jogo fica difícil, Jude é o cara que pode fazer algo especial acontecer.

Talvez seja exatamente isso que faltou a tantas seleções inglesas do passado.

Um protagonista capaz de transformar expectativa em convicção.

Na ponta, Bukayo Saka segue como um dos destaques. Rápido, criativo e inteligente nas tomadas de decisão, é o homem que ataca os espaços criados e desequilibra nas jogadas de mano a mano.

Já Declan Rice representa o equilíbrio. Responsável por proteger a defesa e controlar os espaços no meio-campo, o que permite que nomes mais ofensivos tenham liberdade para criar.

A Copa do Mundo de 2026 representa mais uma oportunidade para mudar uma história marcada por expectativas elevadas e resultados abaixo do esperado.

A Inglaterra não precisa provar que sabe produzir talentos.

Precisa provar que pode ser campeã.

E talvez nenhuma geração tenha chegado tão preparada para tentar.



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