• Terça, 16 de Junho de 2026

Prefeita garante manutenção dos empregos durante intervenção no transporte

Adriane Lopes afirma que futuro da concessão dependerá do diagnóstico produzido pela equipe interventora

JHEFFERSON GAMARRA E KETLEN GOMES / CAMPO GRANDE NEWS


Motorista do transporte público da Capital durante expediente em garagem (Foto: Juliano Almeida)

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), afirmou que a intervenção no Consórcio Guaicurus poderá resultar em diferentes desdobramentos ao final do período de até 180 dias previsto no decreto municipal, inclusive na eventual quebra do contrato de concessão do transporte coletivo. Ao mesmo tempo, ela garantiu que os mais de mil trabalhadores que atuam no sistema não serão demitidos em razão da medida adotada pela administração municipal.

As declarações foram feitas durante coletiva de imprensa realizada após o início da intervenção, que transferiu temporariamente a gestão do transporte coletivo da Capital para uma equipe nomeada pela Prefeitura.

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Questionada sobre a possibilidade de encerramento da concessão após a conclusão dos trabalhos dos interventores, Adriane afirmou que qualquer decisão dependerá das informações que serão levantadas durante o período de auditoria e análise da empresa.

'Diante do diagnóstico, se os fatos nos conduzirem para essa finalidade, pode ser uma das possibilidades', respondeu ao ser perguntada sobre uma eventual quebra de contrato.

A fala reforça o que já está previsto no próprio decreto de intervenção. Ao final do processo, a Prefeitura poderá decidir pela devolução da gestão ao consórcio, aplicação de sanções contratuais ou até mesmo pela abertura de um processo de caducidade da concessão, medida que pode resultar no encerramento do contrato atualmente em vigor.

Garantia aos trabalhadores - Se por um lado a administração municipal admite que o futuro da concessão ainda está em aberto, por outro a prefeita procurou tranquilizar os funcionários das empresas que integram o Consórcio Guaicurus.

Segundo Adriane, a intervenção não tem como objetivo promover cortes de pessoal, mas sim identificar problemas e buscar soluções para melhorar o serviço prestado à população. 'Quero aqui acalmar os mais de mil funcionários que trabalham na empresa, no consórcio, nas empresas consorciadas, que não terá demissão', afirmou.

A prefeita destacou que a medida está sendo conduzida de forma pacífica e que a intenção da Prefeitura é promover mudanças estruturais sem prejudicar os trabalhadores.

'A gente está trabalhando pacificamente para uma mudança necessária. Mas não se conseguem mudanças e transformar um problema dessa magnitude sem mudar a forma de agir', declarou.

Segundo ela, a intervenção representa uma mudança na postura adotada pelo município diante dos problemas históricos do transporte coletivo.

'Historicamente era um problema e nós estamos mudando a forma de agir para buscar a resposta e a mudança para a população', acrescentou.

Funcionários serão ouvidos - O interventor-geral Aléxandro Adriano Lisandro de Oliveira também destacou a importância dos trabalhadores para o sucesso da intervenção e informou que a equipe pretende abrir diálogo com os funcionários e seus representantes nos próximos dias.

Segundo ele, até o momento da coletiva ainda não havia ocorrido uma reunião formal com os empregados do sistema, mas esse encontro deverá acontecer logo no início dos trabalhos.

'Ainda não falamos com eles, mas é essencial. É importante que se saiba que o transporte público são os funcionários, são essas pessoas as responsáveis pelo serviço e que desenvolvem esse trabalho diariamente. Certamente, eles querem ter orgulho do resultado do trabalho deles', afirmou.

Para o interventor, os trabalhadores serão peças fundamentais no processo de levantamento de informações e na busca por melhorias para o sistema. 'A partir do momento em que eles entenderem, e nós demonstrarmos, que estamos buscando a melhoria do transporte para a cidade como um todo, isso também reflete em melhoria para eles, que são os trabalhadores, que carregam esse piano', declarou.

Experiência aponta para cooperação - Aléxandro afirmou ainda que experiências anteriores em processos de intervenção e regulação de serviços públicos indicam que os profissionais envolvidos costumam colaborar quando compreendem os objetivos do trabalho.

Segundo ele, os funcionários do transporte coletivo normalmente demonstram comprometimento com a atividade que exercem e reconhecem a importância do serviço para a população.

'Pela experiência, são pessoas muito orgulhosas e muito zelosas com o trabalho que prestam. São pessoas que também têm orgulho pela importância desse trabalho para a população e para o funcionamento da cidade', afirmou.

Por isso, a equipe interventora pretende incluir os trabalhadores entre os principais interlocutores durante o período de diagnóstico da concessão. 'Certamente estarão na pauta. Nós vamos conversar com eles, porque eles são essenciais', concluiu.



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