• Terça, 16 de Junho de 2026

Queima prescrita inédita no Amolar reforça prevenção aos incêndios no Pantanal

Ação reuniu brigadistas comunitários e Prevfogo sob condições climáticas seguras

INARA SILVA / CAMPO GRANDE NEWS


Brigadistas fazem queima prescrita na Serra do Amolar (Foto: Edilaine Arruda/Brigadista do Amolar)

A primeira queima prescrita realizada na região da Serra do Amolar, no Pantanal sul-mato-grossense, ocorreu sob condições meteorológicas consideradas favoráveis para a execução da atividade. A ação integra as estratégias de MIF (Manejo Integrado do Fogo), coordenadas pelo Prevfogo/Ibama (Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais) e contou com a participação conjunta de brigadistas comunitários e equipes federais.

Mesmo com céu nublado durante parte do dia, os parâmetros climáticos permaneceram dentro dos limites considerados seguros para a realização da queima prescrita. Segundo a gestora ambiental da Ecoa, Fernanda Cano, responsável pelo acompanhamento das brigadas voluntárias e pelo monitoramento climático na região, a umidade relativa do ar se manteve acima de 60%, a temperatura permaneceu abaixo dos 30°C e a velocidade dos ventos ficou inferior a 30 km/h.

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“Essas condições se mostraram favoráveis à realização da queima prescrita e da atividade proposta. Esse monitoramento é fundamental, pois, caso os parâmetros se invertessem,  temperatura acima de 30°C, umidade abaixo de 30% e vento acima de 30 km/h, o cenário se tornaria desfavorável, elevando o risco de perda de controle do fogo', explicou.

Os dados foram registrados pela estação meteorológica instalada na base da Ecoa, no Amolar, e confirmados em campo pelos brigadistas do Prevfogo. O acompanhamento constante das condições climáticas faz parte dos protocolos de segurança adotados nas ações de manejo do fogo.

A operação mobilizou uma equipe de 24 pessoas, composta por 12 brigadistas comunitários formados pela Ecoa e parceiros e outros 12 brigadistas do Prevfogo/Ibama. Além da execução da queima prescrita, os participantes vêm realizando abertura de aceiros, capacitações e outras medidas preventivas voltadas à redução do risco de incêndios florestais durante o período de estiagem.

Para os moradores da Serra do Amolar, a ação representa uma ferramenta importante de proteção do território. Chefe da brigada comunitária local e proprietário de uma pousada na região, Roberto Carlos de Arruda, conhecido como Beto, destacou que a comunidade aguardava havia anos pela realização da atividade.

Segundo ele, a queima prescrita funciona como uma barreira preventiva diante dos incêndios que frequentemente atingem a região, incluindo focos que atravessam a fronteira com a Bolívia. “A gente sabe que o fogo sempre vem queimando. Então, temos que prevenir antes para não acontecerem esses incêndios que todo ano atingem a região. Muitas vezes o fogo vem de outras áreas e entra para o nosso lado', afirmou.

Beto ressaltou ainda que a medida amplia a segurança não apenas para os moradores locais, mas também para a conservação ambiental. “Com essa queima prescrita vamos proteger mais o nosso território. É importante para a comunidade da Serra do Amolar. Se a gente não deixar queimar uma árvore, é uma vida que está protegida', disse.

A ação faz parte de uma programação que envolve cinco brigadas comunitárias do Pantanal - Amolar, Binega, Paraguai Mirim, São Lourenço e Ilha do Baguari - entre os dias 13 e 27 de junho. As atividades incluem abertura de aceiros, roçadas, capacitações e outras práticas preventivas previstas pela Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo.

De acordo com a Ecoa, esta é a primeira vez que uma queima prescrita na região do Amolar conta com a participação direta de brigadas comunitárias, ampliando a integração entre moradores locais e órgãos responsáveis pela prevenção e combate aos incêndios florestais. A iniciativa busca reduzir o material combustível acumulado na vegetação antes do período mais crítico da seca, diminuindo o risco de incêndios de grandes proporções.

O diretor institucional da Ecoa, André Luiz Siqueira, avalia que a participação das brigadas comunitárias representa um avanço na articulação entre políticas públicas e comunidades tradicionais. Segundo ele, a atuação conjunta entre Prevfogo, brigadas comunitárias, Corpo de Bombeiros e organizações da sociedade civil fortalece a capacidade de prevenção do Pantanal diante da previsão de um segundo semestre marcado por elevado risco de incêndios e agravamento da crise hídrica.

As ações ocorrem em um contexto de alerta para o bioma, que nos últimos anos enfrentou episódios extremos de seca e fogo. Nesse cenário, o manejo preventivo é apontado por especialistas e órgãos ambientais como uma das principais estratégias para proteger comunidades, atividades econômicas e a biodiversidade pantaneira.

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