• Terça, 30 de Junho de 2026

Com paredão que vira cachoeira, casal cria refúgio para desacelerar

Sonho antigo virou espaço para compartilhar o silêncio, as estrelas e o contato com a natureza

THAILLA TORRES / CAMPO GRANDE NEWS


Emoldurado pela serra de Piraputanga, o chalé parece pequeno diante do paredão (Foto: Arquivo Pessoal)

O chalé de tijolinhos aparentes e clima de montanha nasceu para uso próprio do casal campo-grandense, Jorcelino Rosa e Terezinha Bortolotto, mas acabou se transformando em um convite para quem quer trocar o barulho da cidade pelo som dos pássaros.

Tem gente que vai para Piraputanga atrás só de um fim de semana diferente, mas esse casal foi atrás de um sonho. Em 2020, em plena pandemia, Terezinha e Jorcelino encontraram o que procuravam havia anos: um pedaço de terra que tivesse montanha, rio e silêncio. O que eles não imaginavam era que o lugar seria ainda melhor do que tinham sonhado.

'Quando nos deparamos com o que foi apresentado foi surreal, muito além do que esperávamos encontrar. Foi amor à primeira vista', lembra Jorcelino.

Na época, a propriedade não tinha nenhuma estrutura. O casal acampava em uma barraca e levava as próprias 'tralhas', guardadas havia anos. Mas bastaram alguns amanheceres para que a ideia começasse a mudar.

'Cada dia que passávamos lá, cada amanhecer cheio de pássaros, cada pôr do sol por trás das montanhas me despertava algo de que aquilo poderia ser compartilhado com outras pessoas', conta.

Foi assim que nasceu o chalé Cabana Paraíso da Serra. Um refúgio de tijolos, madeira e aconchego. Sem muito dinheiro para investir durante a pandemia, a ideia inicial era construir apenas um lugar pequeno e confortável para eles mesmos. A solução foi apostar em uma arquitetura simples e acolhedora.

O resultado é um chalé de tijolinhos aparentes, madeira e telhas de cerâmica. Por dentro, o pé-direito alto, o mezanino, a iluminação quente e os detalhes rústicos criam aquela sensação imediata de aconchego.

'Pensamos em construir com materiais de baixo impacto ambiental. Foi a construção ecologicamente correta que encontramos para um local tão lindo e especial como aquele', explica.

O restante aconteceu naturalmente. 'Chalé já te remete a conforto, aconchego, acolhimento. E assim ele foi ficando com a nossa cara e nosso estilo.'

Mas a beleza do lugar não está apenas dentro da cabana. O espetáculo também acontece do lado de fora.

Ao redor do chalé há um pequeno córrego de águas cristalinas, pedras gigantes, árvores, pássaros e um silêncio que parece impossível de encontrar tão perto de Campo Grande.

Para o casal, a maior surpresa continua sendo a natureza. 'O cheiro de natureza no ar, cada amanhecer ou entardecer, cada noite de céu estrelado, cada barulho do córrego para nós é imensurável.'

À noite, o programa favorito é simples. 'Quando você senta no deck e olha para o céu e vê aquela imensidão de estrelas deixando aquele rastro de luzes para trás… isso é inesquecível.'

E se o céu já impressiona, o paredão que fica atrás do chalé consegue surpreender ainda mais. A formação rochosa, que alguns moradores chamam de Cara do Índio, ganhou outro nome entre os donos.

'Nós preferimos chamá-lo de Rosto de Cristo, porque este é um lugar abençoado por Deus.'

Nos períodos de chuva, o cenário muda completamente. Pela parede de pedra começam a surgir cachoeiras. Muitas cachoeiras. Veja no vídeo abaixo.

'Só do nosso espaço deu para contar umas oito ou nove na última chuva. É simplesmente mágico. Parece cena de um filme', diz Terezinha.

A emoção da primeira vez ainda está viva na memória de Jorcelino. 'Para ser bem sincero, a primeira vez que vi a cena eu chorei de emoção, porque não pensava um dia que eu pudesse viver isso e ainda mais em um cantinho meu.'

Até quem não gosta de mato muda de ideia. O casal conta que já recebeu hóspedes que chegaram ao local à noite e, sem conseguir enxergar a paisagem, acharam que estavam em um 'fim de mundo'. Mas a opinião muda logo no amanhecer.

'O impacto é maravilhoso. O paredão atrás, a montanha à frente, um bosque de sonhos ao lado, os pássaros cantando o tempo todo… não tem como não se encantar.'

Para eles, uma das maiores riquezas do lugar é a privacidade. 'Você fica ouvindo somente o cantar dos pássaros, o barulho do vento na relva, os sons que a natureza oferece. É tudo encantador, é tudo mágico.'

Ver a reação dos hóspedes virou uma recompensa. 'Ver o hóspede maravilhado com o local não tem preço para nós.'

Se tivesse que resumir a experiência de um fim de semana no chalé em uma única frase, Jorcelino não pensa duas vezes: 'Venha viver o inesperado: você vai se surpreender.'

E o que eles esperam que as pessoas levem na bagagem depois da hospedagem? A resposta é curta. 'Paz. Simples assim.'

O chalé recebe principalmente casais que querem desacelerar, se desconectar da cidade e passar alguns dias em meio à natureza. As diárias variam entre R$ 750 e R$ 900, dependendo do período escolhido. O contato é pelo Whats (67) 99994-2170.





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