O deputado estadual Pedro Kemp (PT) manifestou, na sessão desta terça-feira (7), da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, a preocupação com o crescente adoecimento de professores e professoras da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul e cobrou do Governo do Estado medidas urgentes para garantir melhores condições de trabalho e preservar a saúde mental dos profissionais da educação.
Segundo o parlamentar, têm chegado ao seu mandato inúmeros relatos de educadores que enfrentam uma rotina marcada pelo excesso de burocracia, pela fiscalização rigorosa das Coordenadorias Regionais de Educação (CREs) e por cobranças constantes por resultados, criando um ambiente de forte pressão dentro das escolas.
Kemp ressalta que é preciso rever práticas administrativas que muitos profissionais consideram excessivamente punitivas e desproporcionais. Segundo o deputado, o excesso de fiscalização e de exigências burocráticas acaba engessando o trabalho pedagógico e criando, nas escolas, um ambiente de vigilância que, na avaliação de educadores, compromete a autonomia docente e a liberdade de cátedra.
Entre as principais queixas encaminhadas ao mandato estão a pressão para aprovar estudantes, mesmo diante de elevados índices de faltas; a exigência de realizar processos de recuperação em prazos considerados insuficientes; e o aumento das demandas burocráticas, que acabam reduzindo o tempo destinado ao planejamento pedagógico e ao acompanhamento dos alunos.
O deputado afirma que a situação exige diálogo, sensibilidade e providências por parte do Governo do Estado e da Secretaria de Estado de Educação.
"Não podemos tratar professores como meros cumpridores de metas e indicadores. São profissionais que carregam a responsabilidade de formar cidadãos e precisam ser respeitados, valorizados e ter condições dignas para exercer sua missão. Professores e professoras estão adoecendo, e isso não podemos aceitar."
Kemp relata que recebeu recentemente o caso de uma professora reconhecida por sua dedicação, que se encontra afastada em razão do grave comprometimento de sua saúde emocional. Segundo ele, esse episódio reflete uma realidade que vem se repetindo em diversas escolas da rede estadual.
Diante desse cenário, o parlamentar cobra que o Governo do Estado adote medidas efetivas para reduzir a sobrecarga administrativa, fortalecer as políticas de saúde mental voltadas aos trabalhadores da educação, ampliar o diálogo com os profissionais e construir um ambiente escolar baseado no respeito, na valorização docente, na confiança no trabalho pedagógico e na garantia da autonomia dos educadores.
"O adoecimento dos educadores não é um problema individual. É uma questão de política pública que precisa ser enfrentada com urgência. Cuidar de quem educa é condição fundamental para garantir uma educação pública de qualidade", conclui Pedro Kemp.



