• Quarta, 22 de Julho de 2026

Sindicato diz que empresa de Goiás paga em dia, mas tem fama de "linha-dura"

HP Mobilidade apresentou proposta para assumir o Consórcio Guaicurus, que está sob intervenção municipal

MYLENA FRAIHA / CAMPO GRANDE NEWS


Ônibus da frota da HP Mobilidade em garagem de Goiânia; sindicato afirma que a empresa tem frota de boa qualidade (Foto: Reprodução/Ônibus e Transporte/Carlos Junior)

A empresa de transporte HP Mobilidade, que também é responsável pelo transporte público de Goiânia (GO) e formalizou uma proposta para adquirir o Consórcio Guaicurus, não tem histórico de atrasar salários, mas é conhecida pela rigidez na relação com os funcionários.

A avaliação é do presidente do Sindcoletivo (Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Goiânia e Região Metropolitana), Carlos Santos, que concedeu entrevista ao Campo Grande News nesta quarta-feira (22).

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A possível entrada da empresa ocorre em meio à intervenção decretada pela Prefeitura de Campo Grande no sistema de transporte coletivo. A administração municipal analisa a proposta de compra das empresas que integram o Consórcio Guaicurus, atual concessionário do serviço na Capital.

Segundo Carlos, diferentemente dos recorrentes problemas trabalhistas registrados em Campo Grande, a HP não costuma atrasar os pagamentos dos funcionários em Goiânia. “Não tem esse histórico', afirmou. Ele explicou que o sindicato mantém uma postura rígida contra atrasos salariais desde sua criação, em 2009. “Se alguma empresa atrasasse o salário, a gente parava na hora.'

O sindicalista ponderou que a entidade não possui um levantamento completo sobre demissões, já que nem todos os funcionários dispensados procuram o sindicato. Alguns, segundo ele, recorrem diretamente a advogados particulares.

Apesar de não registrar atrasos recorrentes, o presidente do Sindcoletivo apontou que a HP é considerada uma empresa rígida na administração dos funcionários. “Aqui em Goiânia, é uma empresa que exige muito do trabalhador, manda embora com muita frequência, por muito pouca coisa, e é muito severa'.

Carlos também apontou a expansão da terceirização dentro do grupo, com a criação de empresas responsáveis por diferentes serviços. Conforme o presidente do sindicato, os motoristas terceirizados continuam abrangidos pela convenção coletiva da categoria. Já os trabalhadores de setores como lavagem, limpeza e serviços internos podem ser representados por outras entidades sindicais.

Neste ano, os trabalhadores do transporte coletivo da região conseguiram reajuste salarial de 6%. Carlos estima que toda a rede metropolitana de Goiânia tenha aproximadamente 4,5 mil funcionários, incluindo motoristas, lavadores e empregados das áreas internas. O número, porém, compreende todas as operadoras, e não apenas a HP.

Importante destacar que, diferentemente de Campo Grande, onde o Consórcio Guaicurus opera apenas o sistema municipal, a rede de Goiânia abrange a Capital e cidades da região metropolitana. O custeio também envolve o Governo de Goiás e as prefeituras atendidas.

Frota é elogiada – Na avaliação do presidente do sindicato, a frota da HP é relativamente nova e se destaca pela manutenção. Ele lembrou que a empresa adquiriu ônibus após a licitação realizada em 2008 e voltou a renovar os veículos nos últimos anos. “A frota é consideravelmente nova. De qualquer forma, a frota da HP sempre foi a melhor em manutenção', afirmou.

Parte dos ônibus incorporados à operação goiana, segundo Carlos, havia sido inicialmente adquirida para uma empresa do mesmo grupo em Brasília. Como os veículos tinham motor dianteiro e não poderiam ser utilizados na operação do Distrito Federal, foram transferidos para Goiânia.

“Eles mandaram para Goiânia, porque Goiânia não tem essa restrição. Pintaram e chegaram aqui com cara de usados, mas não eram. Também eram novos, não eram velhos', relatou Carlos.

A licitação de 2007 determinava que a vencedora do lote 2, posteriormente assumido pela HP, substituísse 286 ônibus por veículos zero-quilômetro em até cinco anos. A empresa também deveria adquirir outros 19 coletivos para ampliar a oferta e manter uma frota contratual inicial de 392 veículos.

As exigências constam do edital e do contrato, mas esses documentos, isoladamente, não comprovam que todas as obrigações foram cumpridas. O Campo Grande News solicitou à Prefeitura de Goiânia e à CMTC (Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos) relatórios e documentos sobre a renovação da frota, vistorias, penalidades e o histórico de execução contratual. O espaço segue aberto para eventuais posicionamentos.

Proposta de compra – Conforme noticiado ontem (21), a HP Mobilidade formalizou a intenção de adquirir o controle das empresas que formam o Consórcio Guaicurus durante a intervenção municipal no transporte coletivo de Campo Grande.

O contrato de venda do Consórcio Guaicurus para a empresa goiana HP Mobilidade foi fechado no fim de semana, em 18 de julho (sábado). Apesar de parecer baixo para o tamanho do grupo que opera o transporte coletivo de Campo Grande, o valor da transação, dito até agora nos bastidores, é de R$ 170 milhões.

No entanto, conforme apontado anteriormente, a negociação ainda depende da análise do poder concedente, no caso, a Prefeitura, e não representa, por si só, uma mudança imediata na operação.

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