Coronel Sapucaia
MS tem 135,7 mil empresas inadimplentes e soma quase R$ 4 bilhões em dívidas
Estado concentra 17% das empresas no vermelho no Centro-Oeste; dívida média chega a R$ 29,3 mil por CNPJ
JHEFFERSON GAMARRA / CAMPO GRANDE NEWS
Mato Grosso do Sul fechou junho com 135.731 empresas inadimplentes, que acumulavam 1.110.393 dívidas negativadas, segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. Juntos, os débitos somavam R$ 3,97 bilhões, em um cenário de pressão sobre o caixa das empresas e de crédito ainda restritivo.
Os números colocam Mato Grosso do Sul como o quarto estado do Centro-Oeste em quantidade de empresas inadimplentes, atrás de Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso. A região registrou 796.042 CNPJs no vermelho no período.
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Apesar de ter o menor número de empresas inadimplentes entre os quatro estados do Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul apresentou valores elevados quando considerada a média das dívidas. Cada empresa sul-mato-grossense inadimplente tinha, em média, 8,2 dívidas negativadas, com dívida média de R$ 29.305,52. O ticket médio, que corresponde ao valor médio de cada dívida, ficou em R$ 3.582,22. (veja o quadro abaixo)
Em quantidade de empresas, Mato Grosso do Sul respondeu por cerca de 17% dos CNPJs inadimplentes do Centro-Oeste. Em relação ao volume financeiro, os quase R$ 4 bilhões em débitos representam aproximadamente 19% das dívidas negativadas da região, que chegaram a cerca de R$ 20,5 bilhões.
Entre os estados do Centro-Oeste, Goiás apresentou o maior número de empresas inadimplentes em junho, com 250.101 CNPJs. O estado também registrou 1.472.763 dívidas negativadas, que somaram R$ 4,39 bilhões.
Na sequência aparecem o Distrito Federal, com 225.060 empresas inadimplentes, 1.881.269 dívidas e R$ 6,67 bilhões em débitos, e Mato Grosso, com 185.150 empresas, 1.545.592 dívidas e R$ 5,54 bilhões.
Mato Grosso, embora tenha menos empresas inadimplentes que Goiás e o Distrito Federal, apresentou a maior dívida média por empresa da região, de R$ 29.930,62, além do maior ticket médio, de R$ 3.585,46.
Inadimplência bate recorde no país - O cenário regional ocorre em meio ao avanço da inadimplência empresarial em todo o país. Em junho, o número de empresas inadimplentes no Brasil superou 9,1 milhões de CNPJs, maior marca da série histórica da Serasa Experian.
As empresas negativadas acumulavam R$ 232,9 bilhões em dívidas. Em média, cada CNPJ inadimplente tinha 7,3 contas em atraso, com dívida média de R$ 25.508,96 e ticket médio de R$ 3.515,77.
No ranking nacional, Mato Grosso do Sul aparece próximo do fim da lista entre os estados com maior quantidade absoluta de empresas inadimplentes. O gráfico da Serasa mostra o estado com 135.731 CNPJs, número inferior ao do Espírito Santo, com 136.167, e superior ao Maranhão, com 119.250.
A maior concentração está em São Paulo, com 3.126.658 empresas inadimplentes, seguido por Minas Gerais, com 907.558, e Rio de Janeiro, com 874.385. Também aparecem entre os maiores números Paraná, com 601.986, e Rio Grande do Sul, com 527.555.
Serviços concentram maioria dos CNPJs inadimplentes - Considerando o perfil das empresas inadimplentes em todo o país, o setor de Serviços concentrava 55,7% dos CNPJs negativados em junho. O Comércio vinha na sequência, com 32,2%, seguido por Indústria, com 8%, e Primário, com 0,9%.
A Serasa Experian aponta que a composição das dívidas indica forte relação da inadimplência com compromissos financeiros ligados à manutenção das operações e ao capital de giro.
Entre as origens das dívidas, Serviços representava 31,6% do total, seguido por Bancos/Cartões, com 19,5%. Na sequência estavam Cooperativas, com 8,4%, Utilities, com 6,9%, e Telefonia, com 6%.
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o cenário ainda é de dificuldade para as empresas, mesmo após o início do ciclo de cortes da Selic.
'Os dados mostram que a inadimplência segue avançando mesmo após o início do ciclo de cortes da Selic. Isso acontece porque as condições financeiras continuam bastante restritivas e os juros permanecem elevados em termos históricos, limitando uma melhora mais consistente do mercado de crédito. Ao mesmo tempo, a atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas justamente em um momento em que muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa', afirma.
Micro e pequenas empresas concentram maior parte dos débitos - As micro e pequenas empresas continuam representando a maior parcela da inadimplência empresarial brasileira. Em junho, 8,6 milhões de CNPJs desse grupo estavam negativados.
Juntas, essas empresas acumulavam 59,7 milhões de dívidas, que somavam R$ 201,4 bilhões. Em média, cada micro ou pequena empresa tinha 6,9 contas inadimplidas, com dívida média de R$ 23.181,56 e ticket médio de R$ 3.370,47.
Para Camila Abdelmalack, a situação exige atenção porque o acúmulo de compromissos financeiros aumenta a pressão sobre o fluxo de caixa e reduz a capacidade de investimento dos pequenos negócios.
'O quadro das micro e pequenas empresas continua sendo o mais preocupante, porque estamos falando de negócios que acumulam, em média, quase sete pendências financeiras simultaneamente. Para empresas desse porte, esse volume de compromissos representa uma pressão significativa sobre o fluxo de caixa e reduz a capacidade de investimento e de crescimento. Em um cenário em que os juros permanecem elevados e a desaceleração econômica tende a ganhar intensidade no segundo semestre, a gestão financeira passa a ser ainda mais decisiva para preservar a sustentabilidade dos negócios', conclui.
O Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas considera inadimplente a empresa que possui pelo menos um compromisso financeiro vencido cujo não pagamento tenha sido formalmente comunicado pelo credor. A apuração leva em conta as notificações registradas até o último dia de cada mês de referência.
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