• Terça, 18 de Agosto de 2026

Sem elementos concretos, dupla presa por morte de adolescente é solta

Justiça considerou ilegal o flagrante pelo homicídio e emitiu alvará de soltura para os dois homens

CLARA FARIAS / CAMPO GRANDE NEWS


Paulo (à esquerda) apontado como atirador e Miguel (à direita) piloto da motocicleta (Foto: Reprodução)

Paulo Gustavo Silva de Oliveira Amaro, de 19 anos, e Miguel Oliveira da Silva, de 18 anos, presos por suspeita de participação na morte de um adolescente de 14 anos, no Jardim Noroeste, foram soltos durante a audiência de custódia, realizada nesta terça-feira (18). Conforme as decisões, a Justiça considerou ilegal o flagrante em relação ao homicídio, avaliando que, embora houvesse suspeitas sobre a possível participação da dupla, os elementos apresentados até o momento eram insuficientes para estabelecer um vínculo concreto entre os dois e a execução.

Nas decisões, o juiz destacou que a prisão em flagrante não exige certeza sobre a autoria, mas depende da existência de elementos concretos e individualizados que estabeleçam um vínculo de probabilidade entre o suspeito e o crime. No caso dos dois jovens, a avaliação foi de que as circunstâncias levantadas pela polícia ainda permaneciam no campo das suspeitas e coincidências, sem clareza suficiente para justificar a prisão pelo homicídio.

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Com isso, o flagrante pelo homicídio qualificado foi relaxado para ambos. A Justiça, no entanto, considerou regulares as prisões pelos crimes de receptação e desobediência, já que a motocicleta em que estavam tinha registro de furto e houve situação de flagrante em relação aos delitos.

Mesmo assim, o juiz entendeu que não havia elementos concretos que demonstrassem risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal. Por isso, não foram considerados necessários a prisão preventiva nem outros tipos de medidas cautelares, e os dois receberam liberdade provisória. Eles deverão manter os endereços atualizados e comparecer aos atos do processo.

Prisão - Paulo Gustavo, conhecido como “TH', e Miguel foram presos na madrugada desta segunda-feira (17), por equipes do Batalhão de Choque, na Rua Nicola Carlie, esquina com a Rua Catiguá, no Paulo Coelho Machado. Os dois eram procurados após informações apontarem possível envolvimento na morte do adolescente, ocorrida na noite anterior.

Com a dupla, foram encontrados uma pistola Sarsilmaz CM9 calibre 9 mm, um carregador, 14 munições e uma Honda Twister vermelha apontada como a motocicleta utilizada no assassinato. O veículo tinha registro de furto.

Segundo o registro da ocorrência, ao perceberem a aproximação dos policiais, os dois seguiram por algumas quadras, até que Miguel, que conduzia a moto, perdeu o controle e ambos caíram. Durante a tentativa de fuga, o passageiro jogou um objeto, que foi localizado posteriormente. Tratava-se da pistola calibre 9 mm.

Conforme o boletim, Paulo Gustavo declarou ter usado a arma no assassinato ocorrido na noite anterior. Miguel, por outro lado, afirmou que não participou da morte e que teria sido chamado apenas para conduzir a motocicleta.

Execução - O adolescente de 14 anos foi perseguido e morto a tiros na noite de sábado (15), no Jardim Noroeste. Câmeras de segurança registraram a perseguição pelas ruas Pinheiro Machado e Vassouras.

Nas imagens, o adolescente aparece correndo enquanto um dos homens permanece na motocicleta e o outro o persegue a pé, armado. Os dois usavam capacete no início da perseguição. Durante a corrida, o capacete do homem que estava armado caiu no asfalto, mas ele continuou atrás do jovem.

O adolescente chegou à esquina com a Rua Vassouras e caiu no chão. O homem se aproximou e fez mais dois disparos perto do corpo. Depois, deixou o local a pé, voltou para buscar o capacete e retornou à motocicleta, onde o condutor permaneceu durante toda a ação. Em seguida, os dois fugiram.

Antes do ataque, o adolescente estava acompanhado da namorada, de 16 anos. Segundo o relato da jovem, os dois seguiam em direção à casa onde moravam quando foram abordados pelos ocupantes de uma motocicleta vermelha.

No local foram encontrados dez estojos de munição calibre 9 mm. O adolescente apresentava ao menos seis perfurações provocadas pelos tiros, na cabeça, no tronco e em uma das pernas. Ele morreu ainda no local.

Durante o velório, familiares contestaram a versão apresentada pelos suspeitos à polícia. Segundo uma tia da vítima, Paulo Gustavo teria afirmado que decidiu se vingar após ter sido agredido meses atrás em uma tabacaria. Para a família, a justificativa seria uma tentativa de criar uma motivação para o crime.

“Falaram isso do meu sobrinho para tentar inventar alguma coisa, eu acho. Para colocar algum motivo, uma desculpa. Mas não foi', afirmou a familiar.

Ela também negou que o adolescente tivesse ligação com facção criminosa e disse que a família vinha alertando sobre as amizades que ele mantinha. “Nós sempre falávamos para ele parar com essas companhias. Todo mundo dizia que era amigo, que era irmão, mas nenhum era irmão dele e nenhum era realmente amigo. Ele está ali hoje por causa dessas amizades', disse.

De acordo com a tia, a família vinha recebendo ameaças havia mais de uma semana. Ela acredita que o ataque tenha sido planejado e que outras pessoas possam ter participado da ação. “Por que não foram só os dois para matar meu sobrinho? Mandaram quatro, ficaram um numa esquina e o outro lá na outra esquina', relatou.

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