• Domingo, 23 de Agosto de 2026

Escritor fronteiriço assume cadeira na Academia de Letras de MS

Brígido foi empossado como novo ocupante da Cadeira nº 13 e passa a fazer parte do quadro dos “imortais'

NATáLIA OLLIVER / CAMPO GRANDE NEWS


Escritor fronteiriço assume cadeira na Academia de Letras de MS (Foto: Divulgação)

“Nasci num país chamado fronteira, e de lá chego trazendo o sapicuá cheio do linguajar fronteiriço.' Com essa afirmação e com berrante, o escritor fronteiriço Brígido Ibanhes marcou seu ingresso na ASL (Academia Sul-Mato-Grossense de Letras).

Ele foi empossado como novo ocupante da Cadeira nº 13, que anteriormente pertenceu ao professor J. Barbosa Rodrigues e a Antonio João Hugo Rodrigues. A cerimônia reuniu acadêmicos, convidados e representantes da cultura sul-mato-grossense para oficializar sua entrada no quadro dos chamados “imortais'.

O rito oficial de posse foi conduzido pelo secretário-geral da Academia, escritor Rubenio Marcelo, que destacou a importância da chegada do novo integrante para a representação da literatura produzida na região de fronteira.

“A chegada do Brígido à ASL vem celebrar o efetivo compromisso que esta Casa estadual de Letras sempre teve e terá com a arte literária regional e especialmente a relevante literatura fronteiriça, pilar fecundo da história e da identidade cultural desta terra'.

Ao assumir oficialmente sua cadeira, Brígido Ibanhes levou para o centro da cerimônia um dos principais elementos de sua trajetória: a identidade fronteiriça, o berrante.

Natural de Bela Vista, município localizado na divisa entre Brasil e Paraguai e banhado pelo Rio Apa, o escritor dedicou parte de seu discurso às comunidades formadas nos dois lados da fronteira e aos valores que, segundo ele, caracterizam sua gente.

“A fronteira é um país que se estende pelo leito do Rio Apa e une duas comunidades irmãs no sangue originário', afirmou. Ele destacou ainda a humildade, a honestidade, a valentia, o trabalho e o sentido de honra presentes na formação cultural das populações fronteiriças.

Com a posse, Brígido passa oficialmente a integrar o quadro de 40 membros vitalícios da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, levando para a instituição uma produção profundamente vinculada à história, à oralidade e ao cotidiano da fronteira.

Autor de onze livros, Brígido Ibanhes construiu sua obra a partir da observação da vida fronteiriça, onde português, espanhol e guarani convivem e se misturam. Sua produção reúne pesquisa histórica, memória, ficção e investigação sobre personagens e acontecimentos da região.

Entre suas obras de maior destaque estão Silvino Jacques: O Último dos Bandoleiros, Che Ru (Chiru): O Pequeno Brasiguaio – A Integração de um Povo e Che Retã. Ele também teve participação ativa na organização cultural do Estado. Foi membro-fundador e primeiro presidente da Academia Douradense de Letras.

A saudação oficial ao novo acadêmico ficou a cargo do escritor Samuel Medeiros, que ressaltou as diferentes dimensões da produção de Brígido, marcada pela história, pelo romance, pela crônica e pela preservação da memória.

Segundo Samuel, o escritor ora se apresenta como historiador, ora como romancista e cronista, tendo como elemento permanente de sua obra o olhar atento sobre os acontecimentos e personagens de seu tempo. “A obra de nosso novo confrade vem como fruto de memória aguçada e de observador dos fatos', destacou.

O presidente da ASL, escritor e publicitário Henrique de Medeiros, também homenageou o novo acadêmico, lembrando sua participação na preservação da cultura e da linguagem fronteiriças e a projeção alcançada por sua produção literária.

Henrique definiu a trajetória de Brígido como marcada pela resistência e pela superação, destacando sua história de vida e sua contribuição para a cultura de Mato Grosso do Sul.



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