Coronel Sapucaia
Sem endereço, ponto de apoio a entregadores segue no papel há 8 anos
Estrutura já está prevista, mas implantação ainda precisa da definição de uma área na Capital
DUDA SCHINDLER / CAMPO GRANDE NEWS
Há pelo menos oito anos, trabalhadores que atuam com entregas por motocicleta e transporte por aplicativos tentam conquistar um espaço de apoio em Campo Grande. A reivindicação, iniciada em 2018, ganhou um novo cenário neste ano, com a articulação da categoria junto ao poder público.
O objetivo é viabilizar a implantação do projeto Parada Certa, iniciativa organizada pelo ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, que prevê uma estrutura voltada à qualidade de vida e à dignidade desses trabalhadores.
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Apesar do avanço nas tratativas, ainda falta definir um local onde a estrutura possa ser instalada. Segundo Paulo Pinheiro, presidente da Applic-MS (Associação de Parceiros de Aplicativos de Transporte de Passageiros e Motoristas Autônomos de Mato Grosso do Sul), a categoria busca há anos um ponto central que possa atender motoentregadores e motoristas de aplicativo durante a jornada de trabalho.
“A gente está buscando esse ponto há muito tempo. É uma questão de humanidade e dignidade para o trabalhador. Nós precisamos ter qualidade de vida', afirma.
O projeto Parada Certa prevê a instalação de dois contêineres e três banheiros, além de uma estrutura com ar-condicionado, micro-ondas, geladeira, copa e televisão. O espaço também deverá contar com área para estacionamento de motos e carros e convivência dos trabalhadores.
A infraestrutura é viabilizada pela Fundação Banco do Brasil, por meio de articulação com a Secretaria-Geral da Presidência da República. O modelo já foi implantado em municípios como Mauá (SP), onde ocorreu a primeira experiência, além de cidades de Pernambuco, Natal (RN) e Belo Horizonte (MG).
Agora, a expectativa é trazer a iniciativa para Campo Grande e beneficiar milhares de trabalhadores que passam boa parte do dia nas ruas.
Segundo Paulo, a Praça Aquidauana já havia sido oferecida pela Prefeitura de Campo Grande em 2025. A proposta, no entanto, não avançou para a implantação. Para os trabalhadores, a escolha da localização precisa levar em conta não apenas a centralidade, mas também condições de segurança e infraestrutura para que o espaço cumpra sua finalidade.
A avaliação da categoria é que o ponto precisa ser pensado como uma política permanente de apoio a quem trabalha diariamente nas ruas, e não apenas como um local para estacionar motocicletas.
Depois de anos de reivindicação, as negociações começaram a avançar de forma mais concreta em 2026, com o apoio do vereador Landmark Rios (PT). Na terça-feira, representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República devem se reunir com integrantes da categoria para discutir a implantação do Parada Certa em Campo Grande.
Para Paulo Pinheiro, o momento é de transformar uma reivindicação que atravessa quase uma década em uma estrutura concreta.
“A gente quer deixar um legado para as gerações futuras. É um espaço para usufruir, cuidar e fazer crescer. A cada dia a categoria vai crescer mais', afirma Paulo.
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