Esportes
Chances de permanência do Grêmio caem para 35%; Vasco e Inter têm mais possibilidades
Em fase de recuperação, equipes cruz-maltina e colorada têm mais de 60% de probabilidade de seguir na Série A do Brasileirão na próxima temporada; queda da Chape é questão de tempo
GLOBOESPORTE.COM / RODRIGO BREVES
O jogo atrasado contra o Botafogo era uma esperança de recuperação para o Grêmio no Campeonato Brasileiro, somado à reestreia de Renato Portaluppi no comando técnico após a demissão de Luís Castro. Deu tudo errado: derrota por 3 a 2 no Rio de Janeiro. As chances de permanência na Série A do Tricolor gaúcho seguem despencando e foram de 46,13% no fim de semana para 34,76% nesta quarta-feira. Nas últimas seis partidas, só venceu a lanterna Chapecoense e perdeu as outras cinco.
O Grêmio ainda se mantém fora do Z-4 por ter um saldo de gols melhor que o do Vasco; ambos têm 28 pontos. A equipe cruz-maltina vem mostrando poder de recuperação ao vencer os próprios gremistas e o Cruzeiro em dois de seus últimos três jogos; além de ter um jogo atrasado. As possibilidades de uma virada para a equipe carioca seguir na Série A estão em 64,58%.
O arquirrival do Tricolor compartilha esse sofrimento da luta contra o rebaixamento. O Internacional está no Z-4 com os mesmos 28 pontos de Grêmio e Vasco, além de uma vitória a menos que os dois adversários. As chances de se livrar da queda são de 62,12% neste momento. Se os gremistas fizeram três pontos nos últimos 18 disputados, o Inter fez seis; o único triunfo coincidentemente foi contra a Chape.
Os três gigantes ameaçados têm níveis diferentes de desafio na rodada do próximo fim de semana. O Vasco vai receber o oitavo colocado Coritiba, em São Januário. O Grêmio também atua em casa, mas recebe o vice-líder Palmeiras. Por fim, o Internacional joga fora e encara o São Paulo, no Morumbis, um rival em crise após a eliminação na Copa Sul-Americana.
Veja as chances de permanência de todas as equipes da Série A do Brasileirão.
Entre os outros times muito ameaçados está a Chapecoense, que tem apenas 0,96% de chances de disputar a Série A em 2027. A queda da equipe catarinense parece ser apenas questão de tempo neste momento, pois vem segurando a lanterna da competição desde a 12ª rodada e está 11 pontos atrás do Grêmio, primeiro time fora do Z-4.
O Remo também está em situação difícil no Brasileirão. Suas possibilidades de permanência são de 10,6%. O representante paraense na elite do futebol brasileiro passa por uma sequência de quatro derrotas e sete partidas sem vencer. Seu único resultado positivo depois da Copa do Mundo foi na 20ª rodada ao derrotar o Vitória, por 2 a 0, no Mangueirão. A última cartada foi dada nesta semana ao demitir o técnico Léo Condé e trazer Thiago Carpini para substitui-lo. A estreia do novo comandante será no próximo domingo, em casa, contra o Santos.
Vivendo altos e baixos, o Mirassol está nesta disputa contra o rebaixamento. O time do interior paulista tem 52,95% de chances de seguir na Série A. Ao mesmo tempo que dá sinais de recuperação como no 2 a 1 contra o Coritiba, fora de casa, entra desconcentrado contra o Vitória na semana seguinte, leva dois gols em falhas individuais e precisa suar muito para empatar o jogo no Maião. Se encontrar equilíbrio, pode sair da situação delicada em que se encontra e ver suas chances de permanência crescerem naturalmente.
Metodologia
Apresentamos as probabilidades estatísticas baseadas nos parâmetros do modelo de "Gols Esperados" ou "Expectativa de Gols" (xG), uma métrica consolidada na análise de dados que tem como referência as finalizações cadastradas pelo Gato Mestre em 5.206 jogos do Brasileirão desde a edição de 2013.
As variáveis consideradas no modelo são: (1) a distância e o ângulo da finalização em relação ao gol; (2) se a finalização foi feita cara a cara com o goleiro; (3) se foi feita sem a presença do goleiro; (4) a parte do corpo utilizada para concluir; (5) se a finalização foi feita de primeira, ajeitada ou carregada; se o chute foi feito com a perna boa ou ruim do jogador; (6) a origem do lance (pênalti, escanteio, cruzamento, falta direta, roubada de bola, lateral, etc); (7) se a assistência foi feita de dentro da área; (8) a posição em que o atleta joga; (9) indicadores de força do chute; (10) o valor de mercado das equipes em cada temporada a partir de dados do site Transfermarkt (como proxy de qualidade do elenco); (11) o tempo de jogo; (12) a idade do jogador; (13) a altura do goleiro em jogadas originadas de bolas aéreas; (14) a diferença no placar no momento de cada finalização.
De cada cem finalizações da meia-lua, por exemplo, apenas sete viram gol. Então, uma finalização da meia-lua tem expectativa de gol (xG) de cerca de 0,07. Cada posição do campo tem uma expectativa diferente de uma finalização virar gol, que cresce se for um contra-ataque por haver menos adversários para evitar a conclusão da jogada. Cada pontuação é somada ao longo da partida para se chegar ao xG total de uma equipe em cada jogo. Essa variação indica as chances de os times vencerem cada adversário e, a partir daí, é calculada a chance de os clubes terminarem o campeonato em cada posição.
O modelo empregado nas análises segue uma distribuição estatística chamada Poisson Bivariada, que calcula as probabilidades de eventos (no caso, os gols de cada equipe) acontecerem dentro de um certo intervalo de tempo (o jogo). Para chegar às previsões sobre as chances de cada time terminar o campeonato em cada posição foi empregado o método de Monte Carlo, que basicamente se baseia em simulações para gerar resultados. Para cada jogo ainda não disputado, realizamos dez mil simulações.
*Gato Mestre é formado pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, José Victor Meirinho, Leandro Silva, Lorrayne Vieira (estagiária), Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.



