Coronel Sapucaia
Receita e PRF apreendem 21 toneladas de insumo usado no refino de cocaína
Carga de acetato de etila seguia para a Bolívia e foi retida em Porto Morrinho
GABRIEL NERIS / CAMPO GRANDE NEWS
Uma carga com cerca de 21 toneladas de acetato de etila, produto químico usado em etapas de produção de cocaína, foi apreendida na madrugada desta segunda-feira (22), na Base Operacional da Ponte, em Porto Morrinho, a cerca de 70 quilômetros de Corumbá.
A ação foi realizada pela Receita Federal e pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), após trabalho de inteligência apontar irregularidade no transporte do produto, que tinha como destino a Bolívia. A apreensão ocorreu por volta das 5h.
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Participaram da fiscalização equipes da Receita Federal de São Paulo e de Corumbá, da PRF, do Exército Brasileiro, além de informações repassadas pelo Garras (Grupo Armado de Resgate e Repressão a Assaltos e Sequestros), segundo o Diário Corumbaense.
A carga foi retida depois que os fiscais identificaram divergência entre o produto transportado e a especificação registrada na nota fiscal. A carreta e o motorista foram encaminhados à PF (Polícia Federal), que dará continuidade à investigação.
Conhecido como “solvente nobre', o acetato de etila é utilizado por organizações criminosas no processo de transformação da cocaína base em cloridrato de cocaína, forma final da droga destinada ao consumo. Segundo estimativas das autoridades, pela quantidade e concentração do material apreendido, o volume poderia ser usado na produção de aproximadamente 40 toneladas de cloridrato de cocaína.
O controle de precursores químicos nas regiões de fronteira é considerado estratégico no combate ao narcotráfico. Esses insumos são essenciais para a fabricação de drogas sintéticas e derivados de cocaína, o que torna a fiscalização uma tentativa de cortar a cadeia criminosa antes da droga estar pronta para distribuição.
A ação desta segunda-feira ocorre um dia depois de uma operação internacional contra o tráfico de drogas, que reteve caminhões carregados com madeira sob suspeita de ocultar cocaína.
No domingo, a Receita Federal interceptou 8 caminhões durante a Operação Timber Shield, ou Escudo de Madeira, em parceria com autoridades dos Estados Unidos e da Bolívia. Do total, as equipes retiveram 4 veículos em Corumbá, em Mato Grosso do Sul, com aproximadamente 130 toneladas de madeira, e outros 4 em Cáceres (MT), também com cerca de 130 toneladas.
Ao todo, cerca de 260 toneladas de madeira permanecem sob fiscalização das autoridades brasileiras. A operação foi deflagrada após troca de informações de inteligência entre Brasil, Estados Unidos e Bolívia. Também participaram da ação as aduanas dos três países e a FELCN (Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico), da Bolívia.
Segundo a Receita Federal, o esquema usava técnicas de camuflagem para misturar cocaína à estrutura da madeira, dificultando a identificação durante fiscalizações. O mesmo método havia sido encontrado recentemente em uma apreensão feita pela Aduana do Chile, no início de junho, envolvendo uma carga vinda da Bolívia.
Informações compartilhadas pelos Estados Unidos indicam que as apreensões no Chile e no Brasil podem estar relacionadas e teriam origem no mesmo ponto de produção de cocaína, na Bolívia.
As análises preliminares feitas nas cargas retidas no Brasil indicaram resultado positivo para cocaína. Com base em apreensões anteriores envolvendo o mesmo método de ocultação, a estimativa é de que entre 10% e 20% do peso da carga possa corresponder a substâncias ilícitas.
Se a suspeita for confirmada pela perícia criminal da PF, o volume de droga pode variar entre 20 e 50 toneladas de cocaína. A PF ficará responsável pela investigação, pela perícia técnica e pela custódia do material apreendido.
As cargas seguem em território brasileiro, sob controle das autoridades nacionais e dentro dos protocolos de cadeia de custódia. A Aduana Nacional da Bolívia acompanha os procedimentos por meio do acordo de cooperação internacional.
A ofensiva reúne Receita Federal, PF, Exército Brasileiro, Gefron (Grupo Especial de Fronteira) de Mato Grosso e polícias técnico-científicas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As investigações e análises periciais continuam, e novas informações devem ser divulgadas após a conclusão dos procedimentos técnicos.
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