• Quarta, 12 de Agosto de 2026

Três Lagoas e Ribas concentram 38,6% da celulose exportada pelo Brasil em julho

Com 688 mil toneladas embarcadas, os dois municípios superaram polos tradicionais, como São Paulo

VIVIANE MONTEIRO, DE BRASíLIA / CAMPO GRANDE NEWS


Placa na BR-262 indicando rota para Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas, principais cidades impactadas pela celulose em MS (Foto: Osmar Veiga) .

O Vale da Celulose, que desponta como um dos principais polos da indústria de celulose do Brasil, voltou a contribuir, em julho, para a recuperação das exportações nacionais de celulose de fibra curta (hardwood). O movimento foi impulsionado principalmente por Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, que, juntas, responderam por quase 40% dos embarques brasileiros no mês e ajudaram a reverter a queda registrada nas exportações do setor.

Os dois municípios embarcaram 688 mil toneladas em julho, volume 26,5% superior ao registrado em agosto de 2025, segundo relatório da XP sobre as exportações de celulose por cidade, ao qual o Campo Grande News teve acesso.

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O volume correspondeu a 38,6% das exportações brasileiras de celulose no mês, que somaram 1,784 milhão de toneladas. O avanço dos embarques a partir do Vale da Celulose ocorre em um momento de retração em polos tradicionais, como Lençóis Paulista (SP), consolidando a mudança na distribuição regional das exportações brasileiras de celulose.





Individualmente, a cidade de Três Lagoas, onde estão instaladas unidades da Suzano e da Eldorado Brasil, exportou 426 mil toneladas em julho, alta de 22,4% na comparação com agosto do ano passado, aponta o relatório. Foi o maior volume registrado pelo município desde agosto de 2025.



Já Ribas do Rio Pardo embarcou 262 mil toneladas, crescimento de 33,7% na comparação com julho do ano passado. Os volumes aumentaram pelo segundo mês consecutivo, conforme os dados. Ribas do Rio Pardo é onde a Suzano instalou a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, inaugurada em 2024. A unidade tem capacidade para produzir 2,55 milhões de toneladas de celulose por ano e recebeu investimentos de R$ 22,2 bilhões. Desse total, R$ 15,9 bilhões foram aplicados na construção da fábrica e R$ 6,3 bilhões na formação da base florestal e na estrutura logística para o escoamento da produção. O projeto foi o maior investimento da história centenária da Suzano.



Para o economista Daniel Massen Frainer, professor da Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e doutor pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o resultado de julho, embora positivo, ainda não permite apontar uma tendência para os próximos meses.

“É apenas uma posição que pode ser alterada ao longo do ano', resumiu.

Apesar do avanço mensal, o economista destacou que Mato Grosso do Sul perdeu participação nas exportações de celulose em valores embarcados no acumulado de janeiro a julho, na comparação com o mesmo período de 2025. A queda foi de 14,40%, enquanto no Brasil houve alta de 1,12% na mesma base de comparação.

A redução dos preços, avalia o economista, foi insuficiente para explicar a perda de participação. O principal fator de 'vulnerabilidade estaria na concentração das vendas em poucos parceiros comerciais, o que aumenta a exposição do Estado a eventuais oscilações nesses mercados.'

Mesmo com a perda de participação no acumulado do ano, Mato Grosso do Sul permanece na liderança entre os estados produtores em volume exportado, destaca o economista citando dados do Comex Stat, sistema desenvolvido pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) para consulta e extração de estatísticas de comércio exterior. O Estado lidera as exportações de celulose há dois anos e meio, desde 2023.

No acumulado de 2026, Mato Grosso do Sul responde por quase 32% do volume de celulose exportado pelo Brasil, seguido por São Paulo, com 31%.

Com exceção de 2023, quando perdeu a liderança, Mato Grosso do Sul aparece como principal estado exportador de celulose desde 2018. Naquele ano, respondeu por quase 26% dos embarques nacionais, à frente da Bahia, que ficou em segundo lugar, com 18%.

Apesar do cenário atual de preços mais fracos, o mercado mantém uma visão otimista para as empresas de papel e celulose, conforme avaliações apresentadas pela XP em seus relatórios.



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