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Flávia e Lorrane têm quedas na trave e ficam fora do top-10; Skye Blakely leva o ouro do Mundial
Brasileiras mantêm posições da classificatória na final do individual geral. Americana desbanca favorita argelina e vira a número 1 do mundo
GLOBOESPORTE.COM / JULIA GUIMARãES E LORENA DILLON
"Só dei mole na trave!" Foi como Flávia Saraiva resumiu, entre risos, sua participação na final do individual geral do Mundial de ginástica artística. A brasileira de 27 anos teve uma queda no seu principal aparelho, mas nada que tirasse o sorriso largo do rosto. Ainda assim, a medalhista olímpica ficou na 12ª posição em Roterdã. Lorrane Oliveira, voltando a uma decisão individual de Mundial depois de 11 anos, flertou com o top-10 até a última rotação, quando caiu duas vezes na trave, acabando na 21ª colocação nesta sexta-feira.
Os canais sportv transmitem ao vivo as finais do Mundial de ginástica artística a partir desta terça-feira.
Flavinha e Lorrane viram de perto a coroação de uma nova campeã mundial. Skye Blakely recolocou os Estados Unidos no topo do pódio do individual geral, lugar tantas vezes ocupado por Simone Biles - a campeã olímpica ainda não confirmou se vai voltar a competir. A ginasta de 21 anos, que ficou fora das Olimpíadas de 2024 por causa de uma lesão, foi precisa nos quatro aparelhos e somou 55,733 pontos. A russa Liudmila Roshchina ficou com a prata (55,199), e a chinesa Ke Qinqin completou o pódio (55,032). Favorita e líder da classificatória, a argelina Kaylia Nemour teve uma falha no salto e repetiu a quarta posição do ano passado (54,998).
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A russa Angelina Melnikova, campeã mundial em 2025, teve o visto negado pela Holanda por causa da guerra na Ucrânia - ela é apoiadora do presidente da Rússia, Vladimir Putin. Assim, uma nova campeã mundial do individual geral seria coroada. Blakely não deixou escapar a chance de se tornar a número 1 do mundo, posto que foi Rebeca Andrade em 2022.
Flávia Saraiva somou 52,799 pontos para ficar na 12ª posição em sua sexta final de individual geral em Mundial. Lorrane Oliveira foi a 21ª colocada, com 50,932 pontos. Foram as mesmas colocações que as brasileiras tiveram na classificatória - Lorrane foi a 22ª, mas entrou na decisão como 21ª melhor finalista, uma vez que os Estados Unidos tinham três ginastas à frente da brasileira, mas só podiam levar duas representantes à final.
- A gente sabe que o individual geral é importante para mim e para a equipe. Sei o quanto posso melhorar no individual geral. Voltei a fazer este ano, da metade do ano para cá. Não tá sendo fácil. Querendo ou não, a idade vai chegando, o corpo muda muito. Mas me sinto grata. Parece que quanto mais velha vou ficando, vou melhorando no treinamento, vou tendo mais noção do meu corpo. Fico mais feliz com isso - disse Flavinha.
- Foi muito difícil a preparação, por isso estou tão orgulhosa de mim. Eu cheguei aqui com um ano de preparação, é muito pouco tempo. Estava há 11 anos sem competir os quatro aparelhos em um Mundial. Fiz as minhas melhores séries nos três primeiros aparelhos, mas no último fique ansiosa. Erros acontecem. É continuar treinando e continuar focada - completou Lorrane.
O Brasil ainda tem duas chances de ir ao pódio do Mundial de Roterdã. Neste sábado, a partir das 9h (de Brasília), Rebeca Andrade é favorita no salto. No domingo, Flavinha fecha a participação brasileira na competição, na decisão da trave.
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A final
Primeira rotação Lorrane abriu o solo da final. Ela praticamente cravou tudo e conseguiu 13,100 pontos, praticamente a mesma nota da classificatória. Flavinha, por sua vez, começou nas barras. A brasileira fez uma série muito bem executada, mas teve dificuldade na saída do aparelho, assim como nos outros dias de competição. Ela tirou 13,300, mesma nota da classificatória.
Ao fim da primeira rotação, Flavinha figurou na 10ª posição, cinco postos à frente de Lorrane. A russa Alena Glotova abriu na liderança com 14,333 pontos na trave, seguida pela americana Skye Blakely (14,200 no salto). A chinesa Ke Qinqin, a holandesa Naomi Visser e a russa Liudmila Roshchina empataram na terceira posição, com 14,0333. Líder da classificatória, a argelina Kaylia Nemour errou a passada para o salto e fez apenas um Yurchenko com mortal estendido, sem a dupla pirueta prevista para a segunda fase do voo. Isso fez a nota da ginasta cair 1,4 de dificuldade e ficar com apenas 12,366.
Segunda rotação Em seu principal aparelho, Flavinha estava muito bem na trave, mas sofreu a queda na sequência acrobática de três movimentos (flic + layout + layout) , um a mais do que fez no primeiro dia. A brasileira se recuperou, fechando bem a série e conseguindo 13,233 mesmo com a queda, porém 1,2 abaixo do que fez na classificatória. Lorrane, por sua vez, executou bem o Yurchenko com pirueta no salto e tirou 13,066, dois décimos a mais que na segunda-feira.
Com a queda, Flavinha foi para a 14ª posição, três postos à frente de Lorrane. Na briga pelas medalhas, Glotova sofreu duas quedas na trave e despencou da liderança para a 21ª colocação. Blakely fez mais uma boa série nas barras (14,400) e assumiu o primeiro lugar, seguida por Roshchina e Ke. A japonesa Aiko Sugihara e a francesa Elena Colas ficaram na cola do top-3, seguidas por Nemour. A campeã olímpica das barras teve uma falha no início da série, mas ainda conseguiu 14,866 pontos para se recuperar do erro no salto.
Terceira rotação Ao som de Ney Matogrosso e Luiz Gonzaga, Flavinha fez seu melhor solo neste Mundial, cravando suas acrobacias e conseguindo 13,200 pontos, pouco mais de três décimos a mais que na classificatória. Enquanto isso, Lorrane fez uma boa série nas barras e tirou 13,700, mesma nota da segunda-feira.
Lorrane subiu no ranking e passou para a 12ª posição, duas à frente de Flavinha. A americana Blakely fez mais uma série cravada na terceira rotação, desta vez na trave, conseguindo 14,200 pontos para se manter na liderança e abrir um ponto de vantagem. A argelina Nemour deu show na trave com 14,500 para voltar à briga pela medalha, ainda na quarta posição, mas menos de um décimo atrás da russa Roshchina e da chinesa Ke, que sofreu uma queda na trave, seu principal aparelho.
Quarta rotação Flavinha fechou sua participação na final no salto. Lidando com um desconforto muscular na coxa desde a última sexta-feira, ela novamente optou pelo Yurchenko com pirueta, em vez da dupla, seu salto das Olimpíadas de Paris. A brasileira acertou o voo e conseguiu 13,066, alguns centésimos a mais que na classificatória. Lorrane sofreu duas quedas na trave, seu último aparelho, e ficou com 11,066.
Flavinha fechou na 12ª posição, enquanto Lorrane caiu para 21ª. O ouro ficou com Skye Blakely, com mais uma boa apresentação no solo (12,933) para não dar chances às rivais. Roshchina brilhou no solo com 13,400, mas só foi o suficiente para garantir a prata. O bronze ficou com Ke Qinqin por 0,034. A chinesa e Nemour tiraram a mesma nota no solo (13,266).




