Coronel Sapucaia
Motorista nega exigir sexo por corrida e afirma que não saiu de casa
Homem diz que dormia na madrugada da denúncia e promete apresentar provas para sustentar versão
BRUNA MARQUES / CAMPO GRANDE NEWS
O homem apontado por uma jovem de 22 anos como o motociclista que teria exigido sexo como pagamento por uma corrida de aplicativo, na madrugada do dia 26 de outubro, em Campo Grande, nega a acusação e afirma que sequer chegou a buscar a passageira.
Em entrevista ao Campo Grande News, na manhã desta quinta-feira, o rapaz disse que aceitou a solicitação pelo aplicativo, mas cancelou a viagem antes de sair de casa. Também afirma que, na madrugada em que a jovem relatou ter pulado de uma motocicleta em movimento para escapar do suposto assédio, estava dormindo em sua residência.
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“Essa corrida, o único fato verídico foi que eu aceitei. Só que não me senti seguro para realizá-la, então peguei e cancelei, sem nem ir ao local onde ela estava', afirmou.
O homem afirma que não trabalhou naquela noite por considerar que, após as eleições, poderia haver maior movimentação de pessoas embriagadas e confusões nas ruas.
“Foi o pós-eleição. Imaginei que teria muita gente bêbada e brigas, então não rodei. Eu estava dormindo, em casa. Moro em condomínio e já solicitei as imagens das câmeras ao síndico. Vou apresentar todas as imagens cabíveis para comprovar que permaneci no local durante toda a noite, até o início da manhã', declarou.
O investigado também contesta o relato de que a jovem teria caído de uma motocicleta durante a fuga. Ele afirma que não possui veículo desse tipo, não pilota e não tem habilitação para conduzi-lo.
“Se não me falha a memória, em uma das vezes em que ela foi ouvida, comentou que tinha caído de moto. Como pode me acusar de uma coisa dessas? Eu não tenho moto, não ando de moto e não tenho nem carteira de motociclista', questionou.
Para sustentar sua versão, ele afirma que solicitou, por meio do advogado, informações de ERBs (Estações Rádio Base), que permitem verificar a localização aproximada de um aparelho celular a partir da conexão com antenas de telefonia. Também pediu acesso às imagens de segurança do condomínio onde mora.
“Eu pedi os dados das torres de localização da operadora do meu chip. Também solicitei as imagens do condomínio, porque estava na minha casa no dia 26 e não saí à rua', explicou.
O homem alega que a identificação dele teria ocorrido a partir dos dados da corrida cancelada e questiona a existência de provas que demonstrem sua presença no local relatado pela jovem. Ele também afirma que os depoimentos da vítima apresentariam contradições.
“Uma mentira você não consegue provar, mas uma verdade você prova. Eu consigo provar a verdade, mas ela jamais vai conseguir provar a acusação', declarou.
Ele acrescentou que compareceu à delegacia para prestar esclarecimentos e que, naquele momento, estava na condição de testemunha no procedimento. O homem afirma que considera necessária uma investigação cuidadosa, com análise de todas as evidências antes de qualquer conclusão.
Em manifestação encaminhada à reportagem, ele também contestou a divulgação do caso e disse estar indignado por ter sido associado a uma acusação que nega. Segundo ele, a repercussão nas redes sociais trouxe preocupação com os impactos sobre sua honra, imagem e vida profissional e familiar.
“Essa situação não afeta apenas a mim. Uma acusação dessa natureza pode destruir a reputação de uma pessoa antes mesmo de ela ter a oportunidade de se defender. Não quero generalizar, mas fico imaginando quantas pessoas podem ter passado por situações semelhantes sem terem a mesma oportunidade de apresentar provas em sua defesa', afirmou.
O homem disse que pretende buscar medidas legais para esclarecer os fatos e preservar sua imagem. Caso seja comprovado que houve uma acusação deliberadamente falsa, defende que os responsáveis sejam responsabilizados.
“Essa injustiça não vai ficar assim. Vou buscar os meios legais cabíveis para que os fatos sejam esclarecidos e minha honra seja preservada. Se ficar comprovado que houve uma acusação deliberadamente falsa, espero que os responsáveis respondam na forma da lei', declarou.
Entenda o caso - A denúncia foi registrada na madrugada de segunda-feira (26), em Campo Grande. Conforme o relato da jovem de 22 anos, ela voltava de uma tabacaria com um amigo, que a deixou em uma avenida. Em seguida, chamou um carro por aplicativo para voltar para casa.
Nesse momento, um motociclista se aproximou, identificou-se como motorista e perguntou se ela poderia confirmar o bairro de destino. A jovem aceitou seguir com ele, mas, durante o trajeto, o homem teria exigido relações sexuais como forma de pagamento pela corrida.
“Eu disse que só pagaria em dinheiro', contou a vítima.
Segundo a jovem, o motociclista a levou até uma praça no bairro Santa Luzia, próximo ao destino. Para escapar, ela pulou da moto em movimento, sofreu escoriações e correu até residências próximas para pedir ajuda.
“Eu pulei da moto, me ralei toda, falei que não iria mesmo e fui saindo, pedindo ajuda nos interfones das casas próximas', relatou.
Após tentar conseguir socorro em algumas residências, ela foi orientada a procurar a casa de um policial, que acionou a Polícia Militar. A jovem recebeu atendimento e foi encaminhada à Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), onde passou por exame.
Na ocasião, o motociclista não havia sido localizado. Segundo o boletim de ocorrência, a identificação do suspeito ocorreu a partir dos dados da corrida e da placa da motocicleta.
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