Coronel Sapucaia
Após tragédia, Crea pede planos de segurança e laudos da construção
Obra tinha responsável técnico, mas conselho ainda analisará documentos complementares
KAMILA ALCâNTARA / CAMPO GRANDE NEWS
O Crea-MS (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul) solicitou ao proprietário os planos de segurança, os laudos de inspeção dos equipamentos usados para içar cargas e os projetos complementares da construção que desabou e matou dois trabalhadores nesta sexta-feira (4), no Bairro Aero Rancho, em Campo Grande.
Fiscalização constatou que a obra era executada por uma empresa de engenharia registrada no conselho. Também foram encontrados responsável técnico e ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) de projeto e execução.
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A existência desses registros, porém, não encerra a apuração. O conselho ainda pretende verificar em qual fase a construção estava, quais serviços eram realizados no momento do colapso e se todas as atividades contavam com profissionais habilitados.
Segundo o Crea-MS, construções desse porte, que envolvem estruturas de concreto pré-moldado e metálicas, precisam ter projetos de engenharia elaborados antes da execução. Entre eles está o projeto estrutural, que deve orientar a montagem.
Responsabilidade técnica também precisa abranger a elaboração dos projetos, a execução e montagem das estruturas, os estudos sobre a ação dos ventos e as medidas de segurança do trabalho. Cada serviço exige uma ART, documento que identifica legalmente os profissionais e as empresas responsáveis.
As informações recolhidas no local serão encaminhadas à Câmara Especializada de Engenharia Civil do conselho. Se forem encontrados indícios de imperícia, imprudência ou negligência, o caso poderá ser enviado à Comissão de Ética e à autoridade policial.
Equipe continua reunindo dados para concluir o relatório. O documento também poderá auxiliar as investigações conduzidas por outros órgãos.
Desabamento - A estrutura de aproximadamente 14 metros caiu no início da tarde, em uma obra localizada na Avenida Rachel de Queiroz. Cerca de dez trabalhadores estavam no local. Dois morreram e outros dois foram socorridos.
Um dos sobreviventes sofreu fratura no fêmur e estava estável. O outro foi retirado consciente e orientado. Ambos foram encaminhados à Santa Casa de Campo Grande.
O empreendimento possuía autorização da Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano) para exercer atividade de comércio varejista de mercadorias em geral. A licença foi concedida em 9 de junho e tem validade de 12 meses.
No local, a reportagem não encontrou placa com informações sobre a construtora e os responsáveis técnicos. A ausência física dessa identificação, entretanto, não significa que a construção estivesse sem engenheiro responsável, já que o Crea-MS confirmou a existência do profissional e do registro de projeto e execução.
A causa do desabamento ainda não foi esclarecida. A Perícia Científica também realiza levantamentos no local. O MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul) abriu inquérito civil para apurar possíveis falhas nas medidas de proteção e segurança dos operários.
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