• Sexta, 04 de Setembro de 2026

Lixo e mato alto tomam ruas e fazem moradora evitar até passeio com cachorro

Acúmulo de resíduos em terreno na esquina das ruas Sírio Macuco e Tenente Lira preocupa moradores do Seminário

JHEFFERSON GAMARRA E ALICE LEMOS / CAMPO GRANDE NEWS


Um terreno na esquina das ruas Sírio Macuco e Tenente Lira, no bairro Seminário, em Campo Grande, tem se transformado em ponto de descarte de lixo e mato alto, segundo moradores da região. O acúmulo de resíduos, que se espalha também pelas proximidades, tem gerado reclamações relacionadas à sujeira, à possibilidade de incêndios e aos riscos de contaminação.

Moradora da rua Tenente Lira, Luciana Saldanha afirma que a situação piorou e que o problema tem afetado até atividades simples do dia a dia. Para ela, o local se tornou um “lixão a céu aberto'.

“Eu não posso mais sair com meu cachorro', relata. Segundo Luciana, o pinscher costuma tentar comer os resíduos encontrados durante os passeios, o que fez com que ela evitasse levar o animal para caminhar pela região.

Além do lixo, o mato alto avança em direção à rua e chega ao meio-fio. A situação também preocupa moradores dos apartamentos da MRV instalados na região, onde há grande concentração de pessoas. Conforme os relatos, a sujeira na avenida e nas ruas próximas tem provocado reclamações entre os moradores.

A situação também é motivo de preocupação diante do tempo seco. Luciana relata que o local já pegou fogo anteriormente e teme que o acúmulo de lixo e a vegetação alta possam favorecer novos focos de incêndio.

Segundo ela, moradores já procuraram a Prefeitura para reclamar da situação, mas, até o momento, não teriam percebido uma solução para o problema. Na quinta-feira (3), conforme o relato, a região também ficou sem energia elétrica.

A moradora ainda conta que o filho está com virose e que suspeita que a doença possa ter alguma relação com as condições de sujeira no entorno. A relação, no entanto, não foi confirmada por avaliação médica.

Morador faz limpeza por conta própria -  O problema também incomoda Emerson Moraes, que mora na região. Para ele, o acúmulo de lixo não afeta apenas a aparência do bairro, mas também causa preocupação com a saúde dos moradores.

“Bom, essa questão do lixo lá incomoda muito, principalmente na questão de saúde dos moradores, que você fica ali exposto a contaminações, exposto a riscos de contaminações', afirma.

Emerson também destaca o impacto visual provocado pelo lixo. “E sem falar na estética visual, na ambiência, que incomoda, também a meu ver, incomoda tanto quanto. Porque você passa de carro e você vê.'

Ele conta que a situação chegou ao ponto de causar constrangimento para quem recebe visitas em casa. “Dá até vergonha de chamar um amigo para ir na sua casa e passar naquela rua ali. Deus o livre, entendeu? Muito feio.'

Diante do problema, o morador decidiu adotar uma rotina própria de limpeza em frente à casa onde mora, na rua Dom Ladislau Pass. Ele conta que, periodicamente, varre folhas e recolhe resíduos deixados na rua.

“Direto eu cato garrafa quebrada, eu cato tampinha de garrafa, eu varro ali. Uma vez por semana, às vezes até duas vezes. Quando eu fico muito tempo sem varrer, às vezes duas vezes na semana', relata.

Emerson também recolhe garrafas e outros materiais que acabam descartados nas proximidades de distribuidoras. Segundo ele, os resíduos são colocados nos tambores de lixo dos estabelecimentos, em acordo com um dos proprietários.

“Eu pego e já coloco no tambor de lixo da distribuidora. Porque acho que é a responsabilidade deles. E eu tenho um bom relacionamento com o proprietário também', explica.

O morador afirma ainda que comprou um fardo com 100 sacos de lixo para continuar realizando a limpeza por conta própria. A iniciativa, segundo ele, é uma tentativa de contribuir para melhorar as condições da região e incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo.

“Eu mesmo vou começar a fazer esse trabalho. Então quem sabe, um trabalho de formiguinha, isso influencia outras pessoas a fazerem o mesmo. A gente se ajudar em vez de só ficar reclamando.'

Para Emerson, a solução depende também da participação dos próprios moradores. “É lógico, é cada um fazer a sua parte, fazer um pouquinho. E assim a gente dá uma condição melhor para nós mesmos.'

Emerson conta que já morou em apartamento no próprio bairro Seminário, na região do Belvedere, antes de se mudar para uma casa. A mudança, segundo ele, também teve relação com a necessidade de oferecer mais espaço para o filho, que é autista.

“Eu tenho filho autista. O guri só ficava trancado no apartamento praticamente. Não descia nem para a piscina. Aí a gente resolveu mudar', relata.

Mesmo depois da mudança, o morador afirma que continua incomodado com a situação do lixo nas ruas.

“Só que essa questão está muito ruim. Essa questão do lixo', diz.

Para ele, além das preocupações relacionadas à possibilidade de contaminação, o aspecto do bairro é um dos principais incômodos.

“Eu não gosto de ver essas coisas. A ambiência. A ambiência visual incomoda bastante.'

Mutirão - Segundo os moradores, está previsto para sábado (5), às 15h, um mutirão de limpeza na região para tentar amenizar o problema. A expectativa é de que o trabalho retire parte do lixo e da vegetação acumulados no local.

O caso ocorre em meio a reclamações dos moradores sobre a manutenção das ruas e terrenos da região. Enquanto aguardam uma solução, parte deles tem recorrido a ações próprias para retirar resíduos das calçadas e vias próximas.

A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para saber sobre as reclamações, a situação do terreno, eventual programação de limpeza e as medidas previstas para o local, mas até a publicação da matéria não houve retorno.



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